Salário emocional: quando o dinheiro não é tudo

Não foi assim há tanto tempo que ainda considerávamos o fator financeiro como o mais importante na escolha de um novo emprego. Contudo, os tempos mudaram e as novas gerações tornaram-se mais exigentes: querem mais benefícios que vão muito além da grossura do cheque que recebem no final do mês.

O conceito de renumeração tem evoluído com o passar dos anos. Hoje em dia, muitas empresas investem em formas de tornar o ambiente de trabalho num espaço mais positivo e motivador e com garantias que assegurem a satisfação dos seus funcionários. Se não está familiarizado com o conceito de salário emocional, então deve estar a perguntar-se, como é que é possível aumentar a satisfação dos funcionários se não através da tradicional via monetária? Nós explicamos.

O que é o salário emocional?

As muitas pessoas que nunca ouviram falar do conceito “salário emocional” provavelmente têm apenas como referência o modelo tradicional de trabalho: trabalhar mais para ganhar mais. Este lema tem como base fatores monetários e nada mais. Contudo, se queremos ter uma boa experiência no nosso trabalho, o ideal será considerar outros elementos que até há pouco tempo eram colocados de lado sem qualquer consideração.

Em termos simples, o salário emocional consiste em todos os benefícios não monetários que uma empresa oferece aos seus funcionários. Não, o dinheiro não é o mais importante e um trabalhador feliz e motivado não é apenas sinal de um cheque com muitos zeros no final do mês.

De acordo com o estudo 7th Happiness at Work Survey, conduzido pela Adecco, os aspetos de trabalho mais valorizados pelos entrevistados foram um bom ambiente de trabalho, horas de trabalho flexíveis e um bom chefe, enquanto o salário, o fator que ocupava o topo da lista até recentemente, ficou em quinto lugar. Com base nestes dados, não admira que as empresas queiram implementar formas de deixar os seus funcionários mais felizes e motivados.

Empresas que promovem o salário emocional

A empresa de consultoria global Great Place to Work classificou os melhores locais para trabalhar num estudo conduzido todos os anos e que incluí 45 países. As várias formas de salário emocional são uma parte crucial nos critérios de avaliação.

Aqui estão alguns exemplos:

  • Google – a empresa oferece aos funcionários aulas de yoga e fitness, além de possuir infraestruturas para escalada e corrida ou áreas para jogar ténis e videojogos. Está claro que nem todas as empresas conseguem fornecer um número tão elevado de atividades, mas até as coisas mais pequenas são valorizadas e podem fazer a diferença;
  • Ikea – uma das empresas mais bem classificadas pelos seus funcionários. A satisfação está relacionada com as ofertas de café, descontos em restaurantes, pensões de alimentação, áreas de lazer e cobertura dos custos de saúde;
  • Timberland – nesta empresa, os funcionários podem fazer serviços sabáticos equivalentes a 40 horas pagas de trabalho voluntário por ano. A maioria dos funcionários pode usufruir também de bónus anuais. Além disso, toda a equipa recebe generosos descontos nos produtos da Timberland;
  • Lidl – a empresa alemã é muito envolvida na saúde dos funcionários, implementando programas de alimentação saudável, assistência na gestão de stress, medidas ergonómicas e promoção da atividade física.

Vantagens do salário emocional

Aumento da produtividade e diminuição do absentismo são alguns dos benefícios.

O grande propósito do salário emocional é ir ao encontro das expectativas dos funcionários para que estes se sintam emocionalmente conectados à empresa e consigam pintar um futuro na mesma. Aliás, os benefícios desta estratégia são não só visíveis e sentidos pelos funcionários, mas de igual forma pelos patrões que se deparam com uma equipa mais motivada e produtiva.

De acordo com a OCCMundial, os salários emocionais aumentam a produtividade dos funcionários em 33%, diminuem em 51% o absentismo por razões de doença, acidentes ou problemas pessoais, e 97% das pessoas sente-se mais próxima da empresa.

Em resumo, após a implementação dos salários emocionais podem-se esperar oportunidades de crescimento dos negócios, crescimento pessoal, bom ambiente de trabalho, conexão com a empresa e com os colegas, e garantias de uma melhor qualidade de vida.

Formas de promover o salário emocional

São várias as formas das organizações promoverem o salário emocional junto dos seus colaboradores. Deixamos-lhe, em seguida, alguns exemplos de como o colocar em prática:

1. Conciliação entre vida profissional e familiar

Permitir que os funcionários trabalhem em casa uma vez ou outra não prejudica nem o patrão nem a produtividade do funcionário. Aliás, traz sim benefícios, principalmente para quem tem filhos, pois podem passar mais tempo com eles.

2. Progressão na carreira

Um ponto importante que está muito ligado ao salário emocional é a valorização e progressão profissional. A verdade é que a generalidade dos colaboradores de uma qualquer organização querem progredir profissional e essa progressão pode não ser exclusivamente financeira, podendo também passar por nova funções.

3. Espaços de lazer

Se houver espaço, seria útil utilizá-lo para criar uma área onde os funcionários possam relaxar um pouco, seja a jogar videojogos ou a fazer desporto. Manter um bom ambiente de trabalho onde os funcionários estão mais descontraídos é essencial para a felicidade da equipa.

4. Benefícios sociais

Cobertura dos custos de saúde, pagamento do passe de transporte, do ginásio ou até a oferta de vouchers em restaurantes são opções inteligentes para as organizações que pretendem valorizar os seus funcionários.

5. Atividades de teambuilding

Uma grande forma de aproximar os funcionários de uma empresa é realizando atividades divertidas que unam a equipa. Pode haver um dia dedicado apenas para este tipo de atividades, ou é também possível incorporá-las durante uma pausa num dia de trabalho como qualquer outro.

6. Programas de formação

A oferta de programas de formação é uma ótima maneira de manter os funcionários motivados e interessados para continuarem a aprender e evoluir.

7. Bom ambiente profissional

Embora muito poucas vezes referenciado o ambiente profissional é uma fator de enorme atratividade e essencial para a retenção de talento nas organizações. A verdade é que queremos estar onde nos sentimos bem. As relações profissionais, sejam com as chefias ou com os colegas são, portanto, determinantes no nosso bem estar como profissionais.

Apesar de recente, o conceito de salário emocional está a implementar-se de forma muito eficaz em empresas por todo o mundo. A crescente satisfação e produtividade dos funcionários deixam transparecer o sucesso desta estratégia que veio mesmo para ficar.

A era do trabalhar até não poder mais para ganhar o máximo possível já acabou para muitos. Estamos numa altura em que podemos e devemos exigir inovadoras condições de trabalho. Afinal, é muito mais divertido trabalhar quando gostamos do que fazemos e nos sentimos parte de uma comunidade motivadora e estimulante.

Catarina Fonseca

Desde cedo uma curiosa nata, decidiu seguir Ciências da Comunicação para desenvolver a sua paixão pelo jornalismo e pela escrita. Agora formada, gosta de se aventurar pelo mundo, conhecer novas pessoas e culturas, e leva sempre um caderno e câmara fotográfica às costas para eternizar as suas experiências.

Adicionar comentário