Síndrome das pernas inquietas: como identificar e tratar?

Já ouviu falar em síndrome das pernas inquietas? Como o próprio nome sugere, é um problema que faz com que algumas pessoas, quando estão de repouso, comecem a ter uma vontade incontrolável de movimentar as pernas.

Embora possa acontecer em qualquer idade, regra geral, esta síndrome é mais comum em adultos e a probabilidade de a ter aumentam à medida que a idade vai avançando.

Muitos possuem o distúrbio, mas não sabem que se trata de um problema e, por isso, não dão lhe dão a devida importância. No entanto, é fundamental que perante os primeiros sintomas, procure aconselhamento médico, no sentido de lhe ser diagnosticado este problema para assim avançar com um possível tratamento, de forma a assegurar a melhor qualidade de vida possível.

Para o o ajudar a entender melhor este problema, redigimos o presente artigo onde abordamos mais pormenorizadamente a síndrome das pernas inquietas, listando os sintomas mais comuns, as suas possíveis causas, os fatores de risco e as diferentes possibilidades terapêuticas.

O que é a síndrome das pernas inquietas?

Esta síndrome é também conhecida como síndrome de Ekbom ou doença de Willis-Ekbom

A síndrome das pernas inquietas, também conhecida como síndrome de Ekbom ou doença de Willis-Ekbom, gera alterações na sensibilidade das pernas, fazendo com que sinta uma necessidade, quase constante, de movimentar as pernas, algo que acontece de forma involuntária e principalmente durante a noite.

Além do incómodo causado pela própria movimentação e por eventuais dores, poderão haver outras consequências, como noites mal dormidas. Isso faz com que muitas pessoas que padecem deste problema fiquem sonolentas e com uma sensação de cansaço durante todo o dia, o que pode aumentar a irritabilidade e, a longo prazo, levar a um quadro de depressão.

Além disso, a síndrome das pernas inquietas pode acabar por comprometer também alguns momentos da vida social, já que algumas das pessoas que padecem deste problema acabam por deixar de frequentar eventos sociais por receio do estigma social em torno dos movimentos.

Sintomas da síndrome das pernas inquietas

Os sintomas podem variar em intensidade

Os sintomas da síndrome das pernas inquietas podem variar de intensidade, sendo mais leves ou mais graves. Os mais comuns são:

  • Necessidade de movimentar as pernas quando está sentado ou deitado;
  • Sensação de manifesto desconforto quando não faz esses movimentos;
  • Formigamento, dores e pontadas (dor aguda);
  • Movimentos involuntários nas pernas enquanto dorme;
  • Arrepios e sensação de queimadura nas pernas.

Regra geral a vontade de movimentar as pernas acaba quando a pessoa começa a andar ou mesmo quando faz algum movimento, como por exemplo, um cruzar de pernas.

No caso dos sintomas leves, o problema não gera nenhum transtorno ao paciente, que pode levar a vida normalmente. Já nos casos mais graves, é preciso haver acompanhamento médico para controlar e garantir mais qualidade de vida.

Alguns hábitos, como o excesso de cafeína e o consumo de tabaco, podem fazer com que os sintomas piorem e fiquem mais intensos e, por isso mesmo, deverão ser evitados.

Causas da síndrome das pernas inquietas

Parece não haver uma única causa para esta síndrome

Não há uma causa definida para esta síndrome, no entanto, há alguns fatores que podem acabar por desencadear este problema.

De acordo com especialistas, entre os principais motivos estão a predisposição genética e uma diminuição de dopamina em algumas áreas do cérebro, interferindo nas “mensagens” que controlam os movimentos dos músculos corporais.

É importante, também, conhecer os fatores de risco, dado que estes podem ser os principais responsáveis pelo aumentar das probabilidades de ter esta síndrome. Seguem alguns exemplos:

  • Hereditariedade: quando alguém da sua família teve o problema, principalmente os ascendentes diretos, há mais probabilidades de o ter também, especialmente depois dos 40 anos de idade;
  • Doenças crónicas: quem tem doenças renais, diabetes, entre outras, tem maiores probabilidade de desenvolver a síndrome;
  • Gravidez: nas mulheres este é um período em que a síndrome poderá surgir, não obstante, tende a desaparecer de forma natural depois do nascimento do bebé;
  • Obesidade: o aumento do peso corporal pode também aumentar o risco de vir a sofrer deste problema;
  • Medicamentos: alguns medicamentos, especialmente os que são prescritos para problemas do foro mental, podem ter esta síndrome como efeito colateral;
  • Privação de sono: dormir pouco ou dormir mal (por exemplo, sofrer de insónias) é outro fator que faz com que as probabilidades de ter a síndrome sejam maiores.

Se notar algum dos sintomas previamente descritos, deverá consultar um médico de forma a avaliar se padece deste problema.

Tratamento da síndrome das pernas inquietas

Embora não haja cura para esta síndrome, há várias terapêuticas que ajudam a minimizar os sintomas

Há diferentes formas de se diagnosticar a síndrome das pernas inquietas. O mais comum é que seja realizado um conjunto de exames, com a avaliação do histórico clínico do paciente, a descrição dos sintomas, a avaliação dos seus reflexos, da sensibilidade ao toque e da intensidade da dor. Também pode ser solicitado um exame para medir a dosagem de ferro no sangue e uma polissonografia.

Uma dica é já levar para a consulta uma lista com todos os sintomas, bem como há quanto tempo apareceram. Isto poderá facilitar bastante, já que é provável que se possa esquecer de alguns. Poderá também anotar as suas dúvidas para que tudo possa ser esclarecido.

Embora não haja uma cura para a síndrome das pernas inquietas, há várias terapêuticas que ajudam a minimizar os sintomas. Tanto nos casos mais leves, como nos mais graves, a recomendação inicial costuma ser a prescrição de medicamentos de uso oral. Neste âmbito, referir que, em momento algum, se deve automedicar.

Amenizar os sintomas da síndrome

Em conjunto com o tratamento, alterar alguns hábitos no seu dia a dia pode ajudar a amenizar os sintomas da síndrome das pernas inquietas.

O que pode ser feito:

  • Procurar formas de relaxar (meditação, ioga, banhos quentes, etc.);
  • Evitar o consumo de cafeína, chocolate, chás e refrigerantes;
  • Praticar exercícios físicos regularmente, especialmente os alongamentos;
  • Fazer massagens nas pernas;
  • Tentar regular o sono e dormir melhor.

Esperamos que este artigo o tenha ajudado a conhecer um pouco melhor a síndrome das pernas inquietas!

Mariana Bueno

Brasileira, jornalista e escritora. Desde criança tem os livros como os seus grandes companheiros e, mais tarde, transformou a escrita em profissão. É formada em Comunicação e pós-graduada em Media Digitais. Gosta de transmitir informações por meio dos seus textos e adora ouvir e contar boas histórias, de preferência as que descobre ao viajar por diferentes lugares.