Distúrbios alimentares: descubra o que são e quais os principais

De forma simples e simplicista, podemos dizer que os distúrbios alimentares consistem em comportamentos não saudáveis na relação com a comida, que passam a estar no “epicentro” do seu dia a dia e o podem fazer adoecer.

Como veremos mais à frente, entre outros, estes distúrbios podem envolver a ingestão de um grande número de calorias (ou de quase nenhumas), bem como ficar obsessivo em relação ao peso e/ou à forma corporal. Neste artigo, abordamos os principais distúrbios alimentares e algumas das terapêuticas existentes.

Quem sofre de distúrbios alimentares?

O culto ao “corpo perfeito” incentivado pelos meios de comunicação social, pela publicidade e, não menos importante, pelas redes sociais, são suscetíveis de despertarem, uma “sensação de cobrança”, inadequação e baixa autoestima, especialmente em jovens e em indivíduos no início da fase adulta.

A obsessão por um certo padrão estético, leva muitas pessoas a desenvolverem distúrbios ou transtornos alimentares, afetando a sua relação com algo extremamente importante, a alimentação.

Embora os distúrbios alimentares sejam mais frequentes em pessoas do sexo feminino, sobretudo na faixa etária entre os 12 e os 25 anos, alguns estudos mostram que é um problema crescente no sexo masculino, sobretudo em homens entre os 26 e os 40 anos.

Mas afinal, quais as causas dos distúrbios alimentares? É um tanto ao quanto complexo ter uma resposta definitiva para essa questão. Não obstante, alguns estudos apontam para fatores de ordem psicológica, sociocultural, biológica e genética. A título de exemplo, mencionar que as pessoas com quadros de depressão e ansiedade, estão mais vulneráveis a desenvolver algum tipo de distúrbio alimentar.

Quais os principais distúrbios alimentares?

Os distúrbios alimentares não são todos iguais. Precisamente por essa razão, separamos aqueles que consideramos mais comuns, procurando identificar as suas principais características.

1. Anorexia

anorexia nervosa é um dos distúrbios alimentares mais comuns. É o resultado de uma “preocupação exagerada” com o aumento do peso corporal, podendo levar a casos de inanição (fraqueza extrema por falta de alimentação) e emagrecimento extremo.

O indivíduo com este tipo de distúrbio alimentar recorre a dietas rígidas, toma medicamentos para emagrecer e exagera na atividade física, podendo isto, muitas vezes, causar problemas sérios de saúde.

Como nos restantes distúrbios alimentares, as causas que levam à anorexia são complexas, sendo, não raras vezes, o resultado de uma combinação de fatores psicológicos e sociais, incluindo baixa autoestima.

O tratamento para a anorexia consiste no acompanhamento psicológico, além do uso de medicamentos (sempre prescritos por um médico) que ajudam, por exemplo, na diminuição da ansiedade. Quanto mais cedo for diagnosticada, maiores são as probabilidades do tratamento deste distúrbio alimentar ser bem sucedido.

2. Bulimia

Outro quadro bastante conhecido e muito comum é o da bulimia. O bulímico (pessoa que padece de bulimia) apresenta uma visão distorcida da própria imagem, acreditando estar acima do peso que julga ser o ideal.

A bulimia é praticada através de uma compulsão alimentar periódica, caracterizada por episódios recorrentes de ingestão de grandes quantidades de alimentos, geralmente com alto valor calórico, seguidos de métodos não convencionais para evitar o ganho de peso, tais como a indução de vómito, o uso de laxantes e diuréticos e/ou jejum prolongado.

Não há uma causa definida para o surgimento deste tipo de distúrbio alimentar. A origem da bulimia pode estar associada a aspetos socioculturais e psicológicas, sendo a baixa autoestima um potencial fator determinante.

Regra geral, este distúrbio alimentar vem acompanhado de outros transtornos psicológicos, como a depressão, a ansiedade, a insatisfação com o corpo, o perfecionismo e distorção da própria imagem.

O tratamento para a bulimia passa, em grande medida, pela restauração de hábitos de alimentares tidos como saúdaveis. É recomendável que, dada a complexidade deste transtorno, o tratamento seja realizado por uma equipa multidisciplinar composta por nutricionistas, psicólogos, endocrinologistas e psiquiatras.

3. Compulsão alimentar

Umas das características principais do transtorno da compulsão alimentar é a vontade incontrolável de comer, mesmo sem ter fome. Pessoas com este tipo de patologia perdem o controlo assim que começam a comer e são capazes de ingerir uma quantidade manifestamente exagerada de calorias numa única refeição.

Este tipo de distúrbio alimentar acontece quando o indivíduo ingere muitos alimentos num curto espaço de tempo, geralmente em torno de duas horas.

compulsão alimentar pode ser causada por distúrbios hormonais, fatores psicológicos ou por uma combinação destes. Em virtude de níveis hormonais alterados, a pessoa acometida por esse distúrbio, come exageradamente, mesmo sem ter apetite.

As dietas consideradas mais rígidas são também consideradas um “gatilho” para este tipo de distúrbio alimentar. Muitas privam o indivíduo de alguns tipos de alimentos, aumentando o desejo por alimentos considerados “proibidos”.

Além dos fatores hormonais, é preciso considerar que as pessoas com baixa autoestima ou que apresentam problemas ligados à insatisfação com a sua imagem tendem a ingerir alimentos em maior quantidade, como forma de compensar sua ansiedade. Para estas pessoas, a comida torna-se um “refúgio”.

4. Ortorexia

A ortorexia é caracterizada por uma obsessão por alimentos saudáveis. As pessoas que padecem deste distúrbio alimentar deixam de comer alimentos que julgam não serem saudáveis, optando, regra geral, por alimentos naturais, além de evitar alimentos com açúcar, sal, gorduras, corantes, conservantes, entre outros.

A principal causa deste distúrbio alimentar está ligada a questões psicológicas e à autoestima. O indivíduo influenciado pelos meios de comunicação social, pela publicidade e, sobretudo, pelas redes sociais, acaba por se deixar influenciar, adotando uma dieta extremamente seletiva.

Por não ser um distúrbio alimentar muito conhecido, muitas pessoas podem sofrer de ortorexia, mesmo sem saberem. Entre os principais sintomas da ortorexia, destacamos os seguintes

  • Preocupação excessiva com a escolha dos alimentos;
  • Procura constante por alimentos considerados saudáveis;
  • Rejeição de alimentos industrializados;
  • Sensação de culpa após ingerir alimentos “não saudáveis”.

O tratamento da ortorexia deve ser realizado por uma equipa multidisciplinar, composta por um clínico geral, um psicólogo e um nutricionista.

5. Vigorexia

A vigorexia caracteriza-se pela obsessão por um corpo musculado e pela ingestão excessiva de suplementos alimentares / suplementos desportivos. O indivíduo possui uma visão distorcida da sua própria imagem, acreditando estar magro, mesmo com bastante massa muscular.

Por isso, o vigoréxico (quem padece de vigorexia) adota uma rotina intensa de treino, exercício físico, além de uma alimentação rica em proteínas e suplementos alimentares direcionados para o aumento da massa muscular.

Entre os sintomas da vigorexia, estão:

  • A preocupação excessiva com a dieta e com a ingestão de proteína;
  • O consumo excessivo de suplementos alimentares/desportivos;
  • A distorção da imagem corporal;
  • O excesso de exercício físico – por vezes até sentir dor ou se lesionar.

As causas da vigorexia podem estar relacionadas com fatores psicológicos e hormonais. A exaltação do escultural imposta pelas redes sociais, pode ser um fator desencadeador deste tipo de distúrbio alimentar.

O tratamento da vigorexia é multidisciplinar, deve envolver o médico de família, um psicoterapeuta, um nutricionista e até um preparador físico. As pessoas com este tipo de distúrbio alimentar não precisam deixar de praticar atividade física, todavia a intensidade deverá ser reduzida e acompanhada por profissionais da saúde.

6. Alotriofagia / Síndrome de Pica

A alotriofagia, também conhecida como Síndrome de Pica, trata-se de um distúrbio alimentar que tem como principal característica o desejo incontrolável de ingerir substâncias que não são consideradas alimentos e que não possuem valor nutricional, tais como:

  • Moedas;
  • Terra;
  • Sabonetes;
  • Argila;
  • Carvão;
  • Cabelos;
  • Cinza (de cigarros, por exemplo).

Também entram na lista, ingredientes crus, como por exemplo: farinhas, amidos ou raízes.

Este distúrbio alimentar pode ter diversas causas, entre elas, a depressão, esquizofrenia e o transtorno obsessivo. Além disso, alguns estudos apontam para uma possível relação entre uma insuficiência em ferro e zinco e o desenvolvimento deste distúrbio alimentar.

O tratamento da alotriofagia / síndrome de pica inclui alterações na dieta, suplementação de nutrientes e o acompanhamento psicoterapêutico.

7. Hipergafia

Além dos distúrbios alimentares mais frequentes, existem outros menos conhecidos. A hipergafia é um exemplo.

A pessoa que padece deste distúrbio alimentar desenvolve uma vontade incontrolável de comer mesmo sem sentir fome. Diferentemente da bulimia, o indivíduo acometido por esta doença não sente necessidade de expelir os alimentos após a sua ingestão.

Esse distúrbio alimentar deriva de um transtorno mental e as suas causas podem estar associadas a acontecimentos negativos na vida do indivíduo. Pessoas que sofreram traumas, acidentes ou perdas parecer ter uma predisposição para o desenvolvimento deste distúrbio alimentar.

Os sintomas da hipergafia podem passar por::

  • Ingestão de uma grande quantidade de alimentos;
  • Aumento do peso corporal;
  • Irritabilidade e oscilações no humor.

Assim como outros distúrbios alimentares, a hipergafia tem cura. O tratamento passa pelo acompanhamento de um médico psiquiatra, que iniciará um ciclo de terapias para tratar os traumas e a ansiedade do paciente, além do uso de medicamentos, como antidepressivos e ansiolíticos (sempre prescritos por um profissional de saúde).

Esperamos que o presente artigo tenha sido útil para entender os principais distúrbios alimentares. Se reconhece, em si ou em alguém próximo, alguns dos sintomas referidos, deverá procurar ajudar de um médico.

A redação do trabalhador.pt