Intolerância ao glúten: o que é, quais os sintomas e cuidados

O glúten trata-se de uma proteína que pode ser encontrada nos cereais mais comuns e mais consumidos pelo ser humano, como por exemplo o trigo, o centeio e a cevada. Estes cereais são muito usados na confeção de pão, cerveja, massas e chocolate, cobrindo uma grande parte dos alimentos por nós consumidos.

Mas se esta é uma proteína muito comum, a intolerância ao glúten também o é. De acordo com alguns dados, estima-se que entre 1% a 3% da população portuguesa sofra de alguma forma de intolerância ao glúten.

Além da intolerância ao glúten, o consumo desta proteína pode causar outras reações como, um processo alérgico e a doença celíaca (causada pelo agravamento da intolerância ao glúten não diagnosticada).

Por entendermos ser pertinente, redigimos o presente artigo onde, entre outros, procuramos dar respostas às perguntas mais frequentes sobre a intolerância ao glúten.

Doença celíaca, alergia ou intolerância ao glúten?

A principal diferença entre a intolerância, a alergia e a doença celíaca é a gravidade das reações

Estas três reações ao glúten (doença celíaca, alergia ou intolerância) normalmente são confundidas entre si, todavia cada uma tem as suas próprias especificidades.

1. Doenças celíaca

A doença celíaca é uma doença autoimune. Ao ingerir alimentos que contenham glúten, assim que a proteína chega ao intestino, o organismo reage, atacando o órgão e causando a sua inflamação.

A inflamação do intestino, provoca alguns problemas como: diarreia, diminuição da absorção de nutrientes, anemia, osteoporose, flatulência excessiva, distensão e dor abdominal, irritação da pele e até enxaqueca e epilepsia. No caso da doença celíaca, é possível que não se apresente sintomas logo no primeiro contato com o glúten.

Para diagnosticar a doença celíaca, o médico faz a junção do quadro clínico, com testes de anticorpos. A confirmação da doença dá-se com o teste positivo para os anticorpos IgA e IgG.

2. Alergia ao glúten

Relativamente à alergia ao glúten, as reações adversas por ocorrer logo no primeiro contacto com o trigo (que é o cereal mais referenciado no processo alérgico). Se já tiver ocorrido ingestão através do leite materno, pois no processo alérgico, é necessário ocorrer primeiro a sensibilização, para que haja a produção do anticorpo IgE ao alérgeno, e assim a manifestação de sintomas na segunda exposição ao trigo.

Inicialmente, aparecem sintomas leves, como coceira, assim que o alimento toca a boca, ou minutos após a ingestão. Segundo especialistas, somente no segundo ou terceiro contato é que ocorrem reações mais graves.

A mais grave delas é a anafilaxia, que leva a sintomas variados como os de pele, tosse, chiado, falta de ar, dor abdominal, náusea, vómito, diarreia, desmaio, podendo em casos mais intensos levar a óbito.

Normalmente, pessoas que descobrem alergia ao trigo, são orientadas pelo médico a ter sempre um kit com os principais medicamentos para uma possível crise, como: antialérgico, broncodilatador e caneta de adrenalina.

Em todas as reações ao glúten, não há tratamento, a não ser, retirar da alimentação a proteína causadora da disfunção.

3. Intolerância ao glúten

No quadro de intolerância ao glúten, temática central deste artigo, os sintomas são praticamente os mesmos da doença celíaca: diarreia, gases, desconforto abdominal, dor de cabeça e sonolência.

Porém, ao contrário da alergia ao glúten e da doença celíaca, a intolerância ao glúten não está relacionada com anticorpos, tornando-se mais difícil o seu diagnóstico, sendo muitas vezes necessário utilizar o método de tentativa-erro.

Assim, é comum que, após analisar os sintomas apresentados pelo paciente, que levam à suspeita de intolerância ao glúten, o médico realize testes, pedindo ao paciente que consuma produtos que contenham a proteína, principalmente derivados do trigo, de forma a analisar possíveis sintomas.

Após um período as reações do paciente ao consumir alimentos com glúten, o médico deverá solicitar, que elimine o glúten da alimentação. Procedendo a uma nova análise, verificando se os sintomas permanecem ou não.

Este processo pode repetir-se três vezes, para ter a certeza que o problema está relacionado com o glúten e não com outra doença já que os sintomas, como veremos adiante, podem confundir-se com a gastrite, por exemplo.

Comparando-se os três problemas causados pela ingestão de glúten, e de forma simples e simplicista, podemos dizer que a diferença primordial entre a intolerância ao glúten, alergia e doença celíaca, prende-se com a gravidade dos sintomas.

Consequências da intolerância ao glúten

Ao ingerir alimentos com glúten, o organismo das pessoas intolerantes a esta proteína, reage contra o intestino delgado – local onde se dá a absorção dos nutrientes dos alimentos que consumimos.

Esse “ataque”, causa a inflamação do intestino e o achatamento das vilosidades – saliências minúsculas parecidas com “dedos de luvas”, que tornam maior a superfície de absorção do intestino. A infeção torna o intestino praticamente liso, impedindo a absorção correta dos nutrientes.

Como a intolerância ao glúten interfere na absorção e digestão dos alimentos pelo intestino, isso poderá levar à intolerância à lactose, já que a proteína do leite é digerida precisamente no intestino. Todavia, ao fazer as alterações necessárias na alimentação, melhorando o processo inflamatório do referido órgão, o paciente poderá voltar a consumir leite e os seus derivados.

Quais os sintomas da intolerância ao glúten?

Os sintomas percebidos pelo indivíduo com intolerância ao glúten, são vários e muitas vezes estão presentes em outros problemas de saúde. Por isso, a dificuldade em diagnosticar a doença.

Abaixo os sintomas apresentados na intolerância ao glúten:

  • Desconforto abdominal: ao ingerir alimentos com glúten, como trigo, centeio ou cevada, os intolerantes poderão apresentar excesso de gases, barriga inchada, diarreia ou prisão de ventre. Estes sintomas, também estão presentes na gastrite, a diferença é que, nesta doença, manifestam-se após as refeições, já na intolerância ao glúten, surgem não somente após as refeições, mas sempre que se consome alimentos que contenham a proteína.
  • Alterações de humor: o mal estar intestinal, pode levar a pessoa com intolerância sentir irritabilidade, ansiedade ou tristeza, principalmente após as refeições.
  • Enxaquecas: a enxaqueca costuma ter início 30 a 60 minutos após as refeições, podendo causar também visão embaçada e dor em redor dos olhos. A diferença da enxaqueca comum, é que esta não tem uma hora para começar e poderá estar vinculada à ingestão de gorduras, café ou álcool, não a produtos com glúten.
  • Comichão: este sintoma surge nos casos de intolerância, pois a inflamação do intestino causa o ressecamento da pele e comichão. Este sintoma também é apresentado em quadros de psoríase e lúpus, para confirmar ser causado pela intolerância ao glúten, é preciso retirar da alimentação produtos feitos com trigo, cevada e centeio.
  • Tonturas: sintomas como tontura, confusão mental, desorientação ou sensação de cansaço, poderão também surgir. No entanto, muitas vezes passam despercebidos, pois as pessoas não os relacionam com a intolerância a esta proteína. A diferença destes sintomas face a outras enfermidades, é que aparecem mesmo que a pessoa se encontre bem alimentada, não tenha realizado qualquer esforço físico ou por problemas de pressão arterial.
  • Dor muscular: a intolerância ao glúten, pode causar ou aumentar as dores musculares, de tendões e articulações, chamadas de fibromialgia. Neste caso, as dores são mais frequentes nas articulações dos dedos, joelhos e quadris. Para verificar se o problema vem da intolerância, também deve-se tirar o trigo, centeio e cevada da alimentação e analisar se há melhora da dor.

Diagnóstico e tratamento da intolerância ao glúten

Quando o paciente apresenta alguns dos sintomas anteriormente referidos, o diagnóstico para confirmação da intolerância é feito por meio de exames de sangue, urina, fezes e/ou de uma biópsia intestinal.

Além dos exames, é necessário que seja suspensa a ingestão de alimentos que contenham glúten e e que se proceda a uma analíse das consequências, isto é, se os sintomas desapareceram ou não.

Não existe um tratamento com medicamentos para a intolerância ao glúten, o tratamento passa pela suspensão de alimentos com a proteína.

Alimentos a evitar se é intolerante ao glúten

Após lhe ser diagnosticada intolerância ao glúten, como dissemos ao longo do texto, é preciso retirar da sua alimentação todos os alimentos elaborados a partir do trigo, do centeio e da cevada, como por exemplo biscoitos, bolos e massas.

Porém, existem hoje no mercado produtos feitos com cereais que não contêm glúten, usando como substitutos farinha de arroz, de mandioca, de milho, fubá, fécula de batata e mandioca, polvilho azedo e doce.

É preciso também cuidado ao consumir salsichas, sopas pré-embaladas, almôndegas, flocos de cereais, entre outros produtos. É importante ler com atenção o rótulo de todos os alimentos, para ter certeza que não há glúten no preparo. Os termos “gluten free” ou “isento de glúten” são hoje colocados nas embalagens dos alimentos para designar que não incluem esta proteína,

A legislação obriga a que as empresas que fabricam produtos alimentares indiquem na embalagem se o produto contém (ou não) glúten, mesmo que apenas “traços”. Alguns processos de fabricação podem causar a contaminação de alimentos que originalmente não têm a proteína, como é o caso da aveia, por exemplo, mas que poderá conter traços da proteína por contaminação.

A redação do trabalhador.pt