Plaquetas altas: causas, sintomas e tratamento

O corpo humano é uma máquina sofisticada; os seus diversos mecanismos, quando em perfeita harmonia, são capazes de nos proporcionar uma vida plena e saudável. Mas, infelizmente, nem sempre é assim.

Quando uma daas engrenagens desta engenhosa máquina está em desequilíbrio, sentimos no corpo os efeitos dessa descompensação, que pode causar inúmeras complicações quando não é devidamente tratada. Entre esses contratempos estão as plaquetas altas, condição que pode ser um sintoma de uma patologia mais grave, bem como de um distúrbio fisiológico passageiro. Facto é que, independentemente da sua natureza, é importante que esse problema seja investigado, para que sejam descartadas doenças mais graves (ou para que o tratamento destas, caso detetadas, seja iniciado o quanto antes).

Ficou interessado neste tema e quer saber mais sobre o assunto? Então continue a leitura deste artigo que preparamos especialmente para si. Nele irá encontrar informações importantes, como o que são as plaquetas altas, quais as suas possíveis causas, bem como os seus sintomas e possíveis tratamentos.

O que são as plaquetas?

Pequenos fragmentos celulares derivados de uma célula produzida pela medula óssea (megacariócito), as plaquetas desempenham um papel importante no processo de formação do tampão plaquetário – aglomerado de plaquetas que se forma em torno do local da lesão no vaso sanguíneo. Graças a estas é possível evitar hemorragias; contudo, para isso, é essencial que a quantidade circulante de plaquetas no organismo esteja dentro dos valores normais de referência.

Quais as funções das plaquetas?

Como referido, as plaquetas são essenciais para o processo de formação do tampão plaquetário, resposta importante quando ocorre uma lesão vascular. Todavia, na ausência ou défice de plaquetas, podem ocorrer diversos vazamentos espontâneos de sangue em pequenos vasos, o que certamente comprometerá a saúde da pessoa.

Podemos classificar a função plaquetária em três etapas principais: adesão, agregação e liberação. O processo de adesão consiste na interação específica entre a plaqueta e a parede celular no local da lesão. Já a etapa de agregação ocorre graças à interação entre a plaqueta e a plaqueta, sendo que esta é mediada pelo fator de Von Willebrand (proteína que participa em etapas da coagulação do sangue) que pode ser encontrado dentro das plaquetas. Além da libertação do fator de Von Willebrand, há à produção e atividade de outros fatores e proteínas relacionadas ao processo de coagulação sanguínea.

Sintetizando, quando ocorre uma lesão, as plaquetas são mobilizadas para o local do sangramento, evitando assim uma hemorragia intensa.

Qual o valor de referência das plaquetas?

O valor de referência das plaquetas é entre 150 000 e 450 000 plaquetas/ µL de sangue, contudo, existem algumas condições que podem interferir no processo de produção das plaquetas, ocasionando um aumento ou diminuição da sua concentração no sangue. Caso o hemograma, exame laboratorial que investiga os componentes do sangue, indique que as plaquetas estão altas, significa que poderá haver uma hemorragia significativa em alguma parte do organismo. A este fenómeno dá-se o nome de trombocitose, e nem sempre indica um grave problema de saúde – o que deverá ser determinado apenas por um médico.

Como saber se tem as plaquetas altas?

As plaquetas altas serão identificadas por meio de um hemograma e análise dos valores de referência (entre 150 000 e 450 000 plaquetas/ µL de sangue). Caso o valor máximo seja ultrapassado, existe o risco de a pessoa sofrer de algum problema de saúde. Não obstante, é importante referir que valores maiores que 450.000/mm³ são tidos como expectáveis em pacientes idosos, pessoas com colesterol alto ou que já tiveram trombose. Caso não esteja nesses grupos, o médico deverá investigar as possíveis causas das plaquetas altas.

Quais as causas das plaquetas altas?

O aumento no número de plaquetas (trombocitose) está relacionado a causas patológicas ou fisiológicas, tais como exercícios intensos, trabalho de parto, altitudes elevadas, tabagismo, stress ou uso de adrenalina, por exemplo. Entre as causas patológicas mais comuns de plaquetas altas estão:

  • Carência de ferro (anemia ferropriva): a deficiência de ferro é uma causa da quantidade insuficiente de glóbulos vermelhos no organismo, nomeadamente, a anemia. A anemia faz com que o organismo hiperestimule a medula óssea, provocando o aumento de plaquetas. Este processo não é interrompido até que a deficiência de ferro seja tratada, o que é possível por meio de uma alimentação rica neste mineral ou, em casos mais severos, por meio de suplementação (comprimidos de ferro);
  • Inflamação de longa duração: a inflamação crónica pode estar relacionada às plaquetas altas. Trata-se de um mecanismo de defesa do organismo, que tem como objetivo eliminar agentes agressores, podendo, em alguns casos, tornar-se uma resposta exagerada;
  • Trombocitemia essencial: doença silenciosa, visto não apresentar sintomas, a trombocitemia essencial ocorre em razão da produção descontrolada de plaquetas pelo sangue. Não se trata de um tipo de cancro, visto que não haver produção de células malignas, mas sim o aumento da produção de células normais;
  • Leucemia: cancro que ocorre na formação das células sanguíneas, dificultando a capacidade do organismo de combater infeções. Está associado a plaquetas altas.

Todavia, algumas condições podem causar plaquetas altas durante um curto período, como na recuperação de uma doença ou agressão, por exemplo:

  • Recuperação de perda de sangue grave em virtude de trauma ou acidente;
  • Recuperação de uma contagem muito baixa de plaquetas causada pelo uso excessivo de álcool, falta de vitamina B12 ou folato (vitamina B9);
  • Inflamação ou infeção aguda (sépsis);
  • Resposta à atividade física extenuante.

É importante que o médico identifique qual é a causa que está na origem das plaquetas altas para que possa indicar a melhor opção de tratamento.

Quais os sintomas das plaquetas altas?

Os sintomas de plaquetas altas estão relacionados à formação de coágulos sanguíneos e sangramentos. Estas situações causam:

Ademais, alguns estudos recentes apontam para que as plaquetas altas possam ser um primeiro sinal de cancro em até 35% dos casos, sobretudo se o cancro for de origem pulmonar, gastrointestinal, mama, ovário ou hematológico, como o linfoma.

Como diminuir as plaquetas altas?

O primeiro passo para reduzir as plaquetas altas é identificar a sua causa, e isto só será possível a partir de um hemograma completo. Com o resultado em mãos, o médico, nomeadamente um hematologista, poderá explicar o motivo desse aumento e indicar o tratamento mais adequado de acordo com o fator desencadeador do problema.

Quando identificada a doença, o tratamento, na generalidade das vezes, é realizado com medicamentos que reduzem o número de plaquetas no sangue. Dessa forma, estes fármacos diminuem o risco de trombose e hemorragias.

Os medicamentos para baixar as plaquetas altas no sangue são indicados em casos de:

  • Histórico de coágulos sanguíneos ou sangramentos;
  • Presença de fatores de risco de doença cardíaca, como níveis elevados de colesterol no sangue, pressão alta ou diabetes;
  • Idade superior a 60 anos;
  • Contagem de plaquetas acima de 1 milhão.

Depois de medicado, o paciente pode levar uma vida normal, sem sofrer quaisquer efeitos colaterais da medicação. Todavia, é fundamental que o indivíduo adote um estilo de vida mais saudável, longe do tabaco, da hipertensão, obesidade e a diabetes.

Contudo, caso a concentração de plaquetas seja muito elevada a ponto de colocar em risco a vida do paciente – e isto dá-se em razão da grande probabilidade de formação de coágulo -, pode ser recomendada a realização de um procedimento que extrai, por meio de um equipamento, o excesso de plaquetas, fazendo com que o organismo consiga equilibrar os valores das plaquetas circulantes.

Lembre-se: este artigo não substitui o aconselhamento de um médico hematologista. Por isso, caso apresente os referidos sintomas, não hesite em procurar ajuda profissional especializada. Ademais, faça o tratamento indicado e jamais recorra à automedicação, prática perigosa que lhe pode custar a vida. Cuide-se!

Luana Castro Alves

Licenciada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)