Zumbido no ouvido: entenda as causas e saiba como tratá-lo!

Alguma vez já se deparou com um barulho chato, irritante, daqueles que tiram completamente a concentração e que parecem surgir sem causa aparente, nos momentos mais inesperados e aleatórios do dia? Em caso afirmativo, então é porque foi vítima do zumbido no ouvido, um ruído desagradável que não possui qualquer ligação com uma fonte sonora, isto é, não é produzido por efeitos externos.

O zumbido no ouvido, também conhecido como acufeno, pode ter diferentes características, nomeadamente ser agudo ou grave. Geralmente, as pessoas que passam por este problema estiveram expostas a ruídos muito intensos durante um período considerável, fazendo com que algumas das células dos ouvidos fossem destruídas. Caso esta condição não desaparece ao fim de alguns dias é importante procurar aconselhamento médico.

Importa referir que, é habitual que o zumbido nos ouvidos seja uma consequência da perda de capacidade auditiva, um problema grave que deve ser cuidadosamente tratado. O “chiado” é uma tentativa do organismo, mais concretamente do sistema responsável pela audição, de compensar a falta de estímulos que deveriam estar presentes.

Em virtude da pertinência do tema, redigimos o presente artigo onde, entre outros, abordamos as causas do zumbido nos ouvidos e procuramos dar resposta a algumas da questões mais comuns sobre este problema.

Quais as causas do zumbido no ouvido?

A perda de audição costuma ser a causa mais associada ao zumbido no ouvido. Não obstante, este pode ser provocado por outras condições e fatores, como pela acumulação de cera nos ouvidos, por uma dieta inadequada, por doenças neurológicas e até mesmo pela depressão (neste último caso, há uma alteração na atuação dos neurotransmissores responsáveis pela audição).

Existem também fatores fisiológicos, isto é, fatores ligados ao funcionamento do corpo humano, que provocam um incómodo barulho, entre eles, falhas na vascularização do ouvido.

Vários otorrinolaringologistas apontam também outras causas, como o uso excessivo de anti-inflamatórios, antibióticos ou outras drogas em cuja composição conste ácido acetilsalicílico. Isto acontece porque estes medicamentos deterioram a irrigação sanguínea, uma vez que promovem a vasoconstrição.

Além disso, estes fármacos podem também modificar a “oferta” de nutrientes para as células da região e até promover alterações ao metabolismo. Por estes motivos, é importante referir que em nenhuma circunstância se deve automedicar, sendo estes apenas alguns dos efeitos colaterais possíveis.

Perguntas frequentes sobre o zumbido no ouvido

O zumbido nos ouvidos está muitas vezes associado à exposição a sons extremos

1. A ansiedade pode provocar zumbido no ouvido?

Engana-se quem acredita que as doenças do foro emocional, como a ansiedade, causam problemas apenas relacionados com o espetro psicológico. Nos casos mais graves, é comum que a ansiedade atue também no espetro físico, levando a sintomas como batimentos cardíacos acelerados, dores no peito, sensação constante de fraqueza ou de cansaço, boca seca, transpiração excessiva e, não menos importante, zumbido no ouvido.

Por isso é tão importante o acompanhamento médico, pois apenas com o tratamento adequado será possível minimizar os impactos desta condição no dia a dia e garantir uma melhor qualidade de vida aos pacientes.

2. O zumbido no ouvido pode ser causado pela depressão?

Sim. Como referimos anteriormente, a depressão pode ser uma das causas do zumbido nos ouvidos, em virtude de alterar os níveis dos neurotransmissores responsáveis pela audição. Desta forma, nenhuma possível causa deve ser descartada durante o diagnóstico/tratamento, mesmo que do foro emocional.

Há casos em que o contrário acontece, ou seja, o zumbido nos ouvidos desencadeia sintomas depressivos. Em ambas as situações, é fundamental iniciar o tratamento o mais rápido possível para que problemas mais graves não venham afetar seriamente a audição.

3. Como tratar o zumbido no ouvido por fatores emocionais?

Como vimos, a ansiedade e depressão podem ser a causa do zumbido dos ouvidos, da mesma forma que uma das suas consequências. Sobretudo naquelas em que são a causa do problema, é recomendável que procure a ajuda de um médico psiquiatra, bem como de um otorrinolaringologista.

Apenas estes profissionais poderão indicar qual o tratamento mais adequado para este problema. Terapias e mudanças de hábitos podem também ser recomendadas, nomeadamente:

  • Adotar hábitos alimentares saudáveis, evitando alimentos, como o café e o açúcar, e incluir alimentos que favorecem o humor, como antioxidantes e alimentos ricos em potássio;
  • Praticar exercícios de controlo de respiração, visto que podem diminuir os níveis de stress do corpo, levando a um estado de relaxamento;
  • Praticar exercício físico, favorecendo o bem estar e a saúde como um todo;
  • Reduzir o stress, condição responsável por diversas doenças emocionais.

4. O zumbido pode ocorrer devido a doenças cardiovasculares?

Sim. Doenças cardiovasculares, ou seja, condições que afetam coração e os vasos sanguíneos, também prejudicam a irrigação dos vasos sanguíneos dos ouvidos.

Entre as principais doenças que causam o zumbido nos ouvidos estão a arteriosclerose, a hipertensão e o Acidente Vascular Cerebral (AVC); por isso, é tão importante procurar ajuda médica para iniciar o tratamento e evitar a perda auditiva, bem como outras consequências.

5. O zumbido no ouvido pode ser um sinal de perda de audição?

Geralmente, esta é a causa mais comum do zumbido nos ouvidos, cuja função é indicar que as células da região sofreram algum tipo de trauma e, por consequência, ficaram danificadas. Estes traumas podem ser causados pela exposição contínua a ruídos intensos ou até mesmo pela exposição breve a barulhos intensos (concertos, fogo de artifício, música muito alta, etc.).

Por estes motivos, deverá evitar ambientes que sejam propícios ao desenvolvimento deste problema, pois só assim conseguirá preservar a sua saúde auditiva.

6. A diabetes pode causar zumbido nos ouvidos?

A diabetes é uma doença ocasionada por elevados níveis de insulina no organismo, condição que é também apontada como a principal causa pelo zumbido nos ouvidos. Isto acontece porque a diabetes prejudica os estímulos elétricos das vias neurais, responsáveis pelo envio de informações do ouvido para o cérebro.

Para evitar que a doença comprometa a sua saúde auditiva, é fundamental que monitorize os seus níveis de insulina.

7. As dores no pescoço podem causar zumbido nos ouvidos?

Sim, pois a dor na região do pescoço faz com que o corpo liberte substâncias estimulantes visando atenuar o desconforto. Entretanto, estas substâncias estimulantes acabam por atuar também nas vias auditivas, levando ao zumbido nos ouvidos.

Quando a causa do ruído for esta, o médico poderá indicar tratamentos terapêuticos como a fisioterapia e massagens, capazes de diminuir as dores e o desconforto auditivo. 

8. A cafeína contribui para o zumbido no ouvido?

Curiosamente, sim. Isto acontece porque o consumo excessivo da cafeína agrava o zumbido nos ouvidos, pois provoca o bloqueio dos receptores de adenosina (principal molécula transportadora de energia nos seres vivos) em virtude da ação da cafeína no sistema nervoso central. A condição pode ser mais facilmente identificada em pacientes com ouvidos sensíveis, pois estes são mais propensos a sofrer deste transtorno.

Se já identificou que após o consumo de café sofre com ruídos graves ou agudos, então está na hora de evitar o consumo exagerado de café. Importa lembrar que o café não é o único “vilão da história”, pois a cafeína também está presente em alguns medicamentos, bebidas e alimentos, como analgésicos, chá preto, bebidas energéticas e refrigerantes, apenas para citar alguns exemplos. Portanto, vale a pena evitá-los para não sofrer com os efeitos desagradáveis do zumbido nos ouvidos.

Todas as causas para o zumbido nos ouvidos acima referidas podem ser minimizadas ou até mesmo eliminadas desde que se faça o devido acompanhamento médico. Não deve subestimar o problema, pois este pode estar relacionado a outras condições de saúde mais graves. Lembre-se que o nosso corpo emite centenas de sinais para nos alertar de que algo não vai bem, por isso, escute o que ele lhe “diz”.

Luana Castro Alves

Licenciada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)