Guia para compreender e prevenir o suicídio

Falar de suicídio, apesar da sua urgência e importância, é ainda difícil. Porque é doloroso, e ainda preferimos negar tacitamente a sua existência e premência do que falar sobre ela. Mas falar sobre suicídio de forma aberta e esclarecida e, sobretudo, procurar compreender o fenómeno de forma mais aprofundada, é o primeiro passo na sua prevenção. Neste artigo pretendemos falar do suicídio com abertura e clareza, ajudando a melhor compreender a sua ocorrência, bem como a encontrar sinais de alerta e a ajudar pessoas particularmente vulneráveis.

O suicídio é uma escolha?

A resposta a esta pergunta teria de ser sim e não. Em última instância é uma escolha da pessoa, mas é uma escolha altamente condicionada. Porque consiste, basicamente, num recurso de última linha quando o sofrimento é tão intenso que excede as capacidades do próprio indivíduo.

Fazendo um paralelismo, consideraríamos uma escolha alguém que, para não embater com outro carro na estrada, embate contra um muro? Diríamos que a pessoa escolheu embater contra o muro? Não, diríamos que a sua escolha foi condicionada pelas circunstâncias. O mesmo acontece com o suicídio: há uma opção altamente condicionada pelo sofrimento sentido, não se conseguindo ou não se possuindo, no momento, estratégias alternativas.

Podemos definir o suicídio como todo o caso que resulta direta ou indiretamente de um ato positivo ou negativo, praticado pelo próprio indivíduo, conhecendo este o seu efeito letal.

Sendo então o suicídio um ato em que a pessoa sabe que o desfecho pode ser o fim da própria vida, e entendendo que é uma escolha altamente condicionada, resta-nos a resposta à questão: a pessoa quer realmente morrer? E, mais uma vez, em toda a complexidade que este fenómeno encerra, a resposta teria de ser sim e não.

Pegando no exemplo anterior, a pessoa que embate contra o muro quer realmente embater contra o muro? Não, mas fá-lo em linha com as circunstâncias, para evitar chocar com outro carro. A pessoa que se suicida ou que tenta o suicídio não quer realmente morrer, mas a morte é a solução que encontra quando todas, à sua volta, se esgotam. É importante ter em linha de conta que o objetivo desta solução é não tanto o fim da vida, mas sim o fim do sofrimento. O término da vida vem em consequência de se querer pôr fim a um sofrimento que se tornou insuportável.

O que leva alguém a terminar com a vida?

Mesmo depois de entendermos que a escolha de pôr fim à vida é condicionada por um enorme e imensurável sofrimento, permanece-nos muitas vezes a dúvida da origem desse sofrimento. Todo o ser-humano tem uma necessidade natural de compreender as coisas e integrá-las numa realidade que ele possa entender. Conseguimos perceber facilmente que alguém que perdeu uma pessoa querida, ou que perdeu um emprego, ou que vivenciou uma situação traumática, está em sofrimento. Precisamos muitas vezes de atribuir razões e causas para as emoções e para os comportamentos. No entanto, a realidade nem sempre é assim tão linear.

Não tem de existir uma razão objetivamente forte para que alguém esteja em sofrimento. Muitas vezes é até mais difícil gerir o sofrimento quando não existe uma razão identificável, porque se não há razão também não parece haver solução. Se estou a sofrer porque perdi o emprego, por mais forte que seja esse sofrimento, à partida poderá existir uma solução no longo-prazo. No entanto, se não sei porque estou a sofrer, gera-se uma forte sensação de impotência e falta de controlo.

Assim, muitas vezes o sofrimento pode vir sem explicação aparente, e isso acontece, normalmente, porque há uma perturbação mental associada, tal como a depressão. De facto, cerca de 90% das pessoas que cometeram suicídio tinham algum tipo de perturbação mental associada e, desses, 60% estavam deprimidos.

A depressão é uma perturbação mental que se caracteriza por uma tristeza persistente, pela falta de motivação ou vontade para realizar atividades que antes eram gratificantes, por uma falta de energia e cansaço permanentes, e por uma desesperança em relação ao futuro. A depressão pode de facto aparecer associada a algum acontecimento de vida negativo, mas também pode surgir sem causa aparente. Na raiz da depressão encontram-se os mais diversos fatores, desde os biológicos e genéticos aos de personalidade. Por isso, qualquer pessoa pode sofrer de depressão, independentemente da sua idade, proveniência, condição económica ou estilo de vida.

O que acontece também frequentemente é que a perturbação mental não é diagnosticada, ou não é alvo de intervenção, o que agrava a possibilidade de o suicídio surgir como solução de última linha para um sofrimento excedível.

Desconstruir mitos associados ao suicídio

Muitas vezes o nosso conhecimento (ou falta dele) acerca do suicídio vem de perceções ou opiniões que vamos formando, e de mitos ou ideias pré-concebidas, que muitas vezes estão longe da realidade e nos tornam mais distantes e mais incapazes de ajudar alguém em situação limite. Por isso, é fundamental desconstruir alguns destes mitos:

  • Quando alguém se tenta suicidar e não consegue, é porque só queria atenção – a tentativa de suicídio é um pedido de ajuda que nunca deve ser ignorado. É um sinal de que a pessoa não se encontra bem e, quer tenha ou não intenção real de pôr fim à vida, se encontra num estado de desequilíbrio que constitui um risco;
  • A pessoa que se suicida já queria isso há muito tempo – esta questão dependerá obviamente de caso para caso, no entanto 95% dos suicídios ocorrem no pico de um episódio de depressão;
  • Quem comete suicídio é fraco – há muito a ideia de que as pessoas deprimidas ou que cometem o suicídio são frágeis, não têm a força suficiente para enfrentar os problemas. Nada podia estar mais longe da realidade. Normalmente a pessoa suportou já durante demasiado tempo o sofrimento, e recorre a esta solução irreparável porque não encontra nenhuma outra. O sofrimento e as perturbações mentais não são um sinal de fraqueza. Tal como não diríamos a alguém que sofre de cancro que a pessoa devia ser mais forte, também não deveríamos dizê-lo a alguém que sofre de uma perturbação mental, porque a situação é similar; uma tem uma origem mais física e palpável, a outra tem origem mental e, por isso, é mais invisível, mais nem por isso menos fulminante e dolorosa.
  • Quando uma pessoa sobrevive a uma tentativa vai “abrir os olhos” – a sobrevivência a uma tentativa de suicídio não elimina o sofrimento, e os riscos após estas tentativas não se reduzem automaticamente. Inclusivamente muitas pessoas fazem tentativas consecutivas num curto intervalo de tempo.
  • Uma pessoa que pensa no suicídio é alguém que está sempre triste – este é um mito perigoso, pois leva-nos a desconsiderar muitas pessoas que podem precisar de ajuda mas que mascaram o seu sofrimento. Frequentemente quem está a sofrer procura não o transparecer para os outros, e pode até aparentar que “está tudo bem”, quando na realidade não está. Por isso, a ausência de sinais muito evidentes de humor deprimido não significa que o risco de suicídio está também ausente.
  • O suicídio não é uma problemática urgente – basta olhar para os dados para perceber como isto é um mito: todos os anos quase um milhão de pessoas morre de suicídio, e este está entre as 10 causas de morte mais frequentes em muitos países do mundo. Nos últimos 50 anos as taxas de suicídio aumentaram aproximadamente 60% em todo o mundo. As taxas entre os jovens têm vindo a aumentar de tal forma que estes são agora o maior grupo de risco num terço dos países, tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento. Importa também saber que Portugal está acima da média global de suicídios, e que 800 mil pessoas se suicidam todos os anos, o que significa uma pessoa a cada 40 segundos.

A diferença entre ideação e intenção suicida

Previamente à tentativa de suicídio existem vários níveis de risco que devem ser tidos em conta, pois permite avaliar o nível de perigo em que a pessoa se encontra.

Ideação suicida

A ideação suicida é frequente em pessoas que se encontram deprimidas ou inclusivamente a passar por algum problema significativo. Esta ideação caracteriza-se pela existência de pensamentos sobre a morte, que surgem por vezes de forma incontrolável. Muitas vezes estes pensamentos existem sem que haja uma intenção de praticar o suicídio, no entanto funcionam como um aviso importante para que a pessoa possa beneficiar da ajuda de que necessita atempadamente. Muitas vezes nestas situações a própria pessoa tem consciência do risco da situação em que se encontra e é recetiva a receber ajuda profissional.

Intenção suicida

A intenção suicida distingue-se da ideação porque aqui, para além da existência de pensamentos, existe já uma vontade ou intenção de colocar o suicídio em prática, ou seja, de pôr termo à vida. Por isso, o risco é substancialmente mais elevado. Existindo a intenção, é necessário ter em conta se a pessoa tem um plano traçado e definido para o fazer e se tem os recursos necessários para isso. Neste caso, pode ser necessário acionar meios de emergência pois o nível de perigo é elevado.

O que sente a pessoa que contempla o suicídio?

Entender melhor o fenómeno significa termos a capacidade de empatia, isto é, de nos colocarmos no lugar do outro e entendermos o que pensa e sente alguém que pondera colocar termo à vida.

Pensamentos:

  • Não consigo parar a dor;
  • Não consigo pensar;
  • Não consigo decidir;
  • Não vejo nenhuma saída para a minha vida;
  • Não consigo dormir, comer ou trabalhar;
  • Não consigo afastar a tristeza;
  • Não consigo ver o futuro sem dor;
  • Não valho nada;
  • Estou sozinho;
  • Não consigo ter controlo.

Sentimentos e emoções:

  • Desespero;
  • Desesperança (ex: não existe solução para o meu problema);
  • Baixa autoestima;
  • Incapacidade de sair da situação e resolver os problemas;
  • Falta de interesse em atividades antes agradáveis;
  • Aumento da ansiedade e/ou ataques de pânico;
  • Irritabilidade e agitação;
  • Sofrimento profundo.

Quais os sinais de alerta de suicídio?

Existem alguns sinais que podem ser fundamentais para compreender que alguém poderá estar em risco:

  • Existência de um plano de suicídio;
  • História familiar de suicídio (uma vez que existe uma componente hereditária);
  • Tentativas de suicídio anteriores;
  • Idade (aumento do risco a partir da puberdade);
  • Admissão psiquiátrica;
  • Estado emocional alterado ou instável (agitação, irritabilidade, descontrolo, agressividade);
  • Apresenta ou reporta sentimentos de aflição, preocupação com tudo, receios infundados, insegurança e medos;
  • Apresenta diminuição da energia, fadiga e lentidão;
  • Apresenta alterações ou perturbações no apetite, sono, ou variações significativas de peso;
  • Apresenta alterações de concentração, memória ou raciocínio;
  • Tem queixas físicas sem causa orgânica (dores de cabeça, perturbação digestiva, dor crónicas, mal-estar geral, etc);
  • Traços de personalidade (impulsividade, negação, dificuldade de resolução de problemas…);
  • Pressão exterior;
  • Isolamento e recusa em falar;
  • Falar sobre cometer suicídio;
  • Abandona amigos e/ou atividades sociais;
  • Perde o interesse em hobbies, trabalho, escola, etc.;
  • Prepara a morte, fazendo cartas de despedida ou testamento e preparativos finais;
  • Oferece objetos pessoais significativos;
  • Envolve-se em riscos desnecessários;
  • Passou por perdas recentes significativas;
  • Fala sobre morte e morrer;
  • Aumenta o consumo de álcool e/ou drogas.

Devemos falar sobre o suicídio?

Falar sobre suicídio não aumenta o risco de ele ocorrer, pelo contrário. Muitas vezes o sofrimento da pessoa é agudizado por esta se sentir sozinha e isolada, e considerar que não pode falar abertamente sobre aquilo que está a sentir. Por isso, se formos capazes de abordar o tema com transparência e empatia, tentando compreender os sentimentos da pessoa acerca do suicídio, podemos ajudar a um melhor entendimento e, consequentemente, reduzir a angústia imediata da pessoa. Ao perguntarmos a alguém se pensa em cometer suicídio, ajudamos a que esta sinta alívio por o poder partilhar sem ser alvo de julgamento. Deste modo é mais fácil criar ambivalência face à sua decisão e permitir que ela aceite ajuda.

Por vezes pode também parecer difícil saber como abordar a questão e, quando percebemos que pode existir risco, não sabemos muito bem como perguntar há pessoa se esta pensa em suicidar-se, e temos uma grande necessidade de contornar a questão. Por isso, algumas das perguntas que podemos (e devemos) fazer, de forma direta e sem receios, são:

  • Sentes-te infeliz e desesperado/a?
  • Sentes que a vida não vale a pena, chegando mesmo a ser insuportável?
  • Alguma vez pensaste em deixar tudo?
  • Imagino que não deve ser fácil tudo o que estás a passar. Já alguma vez sentiste que estavas de tal forma a sofrer que preferias fazer mal a ti próprio? Cometer suicídio, por exemplo?
  • Neste momento estás a pensar em terminar com a tua vida?

Como agir perante alguém com intenção suicida?

A nossa atitude e a forma como interagimos com alguém nesta situação limite pode ter um grande impacto e importância na diminuição do seu risco de vida. Para isso, existem algumas estratégias que podem ser importantes:

  • Ouvir: é fundamental ouvir o que a pessoa tem a dizer, sem interrupções nem julgamentos, evitando criticar ou advertir e, sobretudo, não julgando aquilo que ela está a sentir ou os pensamentos que tem e as suas opções.
  • Perguntar: fazer perguntas pertinentes e que ajudem a pessoa a expressar as suas emoções, e que nos ajude a nós a perceber o grau de risco. Evitar, por outro lado, fazer perguntas retóricas e intrusivas, tais como “já pensaste como vão ficar os teus familiares?!”.
  • Explorar e compreender melhor que recursos e apoios é que a pessoa tem e a que pode recorrer (amigos, família, apoio especializado, instituições da comunidade, linhas de apoio, etc). Ao fazer isto é importante perguntar, perceber a quem a pessoa pode recorrer, e não tentar impor ou dizer com quem é que ela deve falar. Por exemplo, podemos dizer para ela falar com os pais e a relação com os pais ser uma fonte de sofrimento ou existir uma falta de suporte nesse relacionamento.
  • Mostrar disponibilidade total para ouvir, sem minimizar a questão nem dar a entender que temos coisas mais importantes para fazer naquele momento do que ter aquela conversa.
  • Permitir que a pessoa se expresse emocionalmente, isto é, que chore, sem a constranger.
  • Nunca minimizar os problemas da pessoa. A nossa opinião sobre as situações que neste momento produzem o sofrimento do outro são irrelevantes. Devemos estar preocupados em explorar e compreender o que se passa com a pessoa para ela estar determinada a cometer suicídio, sem que seja necessário darmos a nossa opinião ou julgar se está certo ou errado. Tentar convencer a pessoa de que a situação não é assim tão má ou de que tem tudo para ser feliz são atitudes que aumentam os sentimentos de culpa e desespero.
  • Falar sobre o suicídio de forma aberta e direta, mostrando disponibilidade para ouvir e sem julgar ou entrar em debates sobre se o suicídio está certo ou errado, se os sentimentos são bons ou maus ou qual o valor da vida.
  • Ajudar a pensar em alternativas sem as impor, isto é, sublinhar que a ajuda está disponível e de que, mesmo que pareça que não vai resultar, não há mal nenhum em tentar. Explicar também que os pensamentos sobre o suicídio podem ser temporários e que o sofrimento, por mais intenso que seja, pode também vir a diminuir.
  • Aceitar a tentativa de suicídio como uma alternativa de resolução de problemas para a pessoa. É importante colocarmo-nos no lugar do outro e percebermos que, de facto, o suicídio é uma forma de colocar fim ao sofrimento. Sublinhar, no entanto, que é uma solução irremediável e que termina também com eventuais pontos positivos que a vida possa ter.
  • Mostrar preocupação genuína, mas sem alarmismo, dizendo, por exemplo “estou preocupado contigo e gostava de te ajudar, estou aqui para te ajudar”. Não entrar em choque, pois isso aumenta o distanciamento em relação à pessoa. Tentar manter uma atitude calma.
  • Não jurar segredo ou fazer promessas que não vamos cumprir. Nem apresentar soluções que podem não ser possíveis (ex: de certeza que vais arranjar um emprego; ele vai-te perdoar; etc).
  • Tentar desenvolver com a pessoa ações concretas e imediatas como alternativas ao suicídio, mas sem oferecer excesso de confiança com comentários banais tais como “vai correr tudo bem!”, “tudo se resolve”, etc.
  • Responsabilizar a pessoa pelas opções que possa vir a tomar e não aceitar transferências de culpa. É muito importante que a pessoa compreenda que, por mais que o seu sofrimento possa estar relacionado com alguém, as decisões que toma sobre a sua vida são exclusivamente suas e não podem ser imutadas a ninguém.
  • Mostrar à pessoa que o suicídio é uma decisão dela, mas que deve ponderar as várias alternativas possíveis, podendo fazê-lo em qualquer outra altura. Ou seja, em vez de impor a decisão ou tentar demovê-la, procurar que ela adie esta decisão, tentando no entretanto outras alternativas, nomeadamente a aceitação de ajuda profissional.

Quando dialogamos com alguém que percebemos estar em risco de suicídio, é também fundamental procurarmos ter uma atitude de compreensão e respeito, usando uma linguagem simples e direta, respeitando o ritmo e as pausas da outra pessoa e não tentando impor-lhe as nossas próprias opiniões ou sentimentos.

Se formos muito próximos da pessoa e, devido a esta proximidade emocional, não conseguirmos manter uma atitude calma neste diálogo, sugerir a alguém com quem a pessoa se sinta à vontade para o fazer.

O que fazer para evitar que alguém cometa suicídio?

A ação prioritária a tomar será sempre a de compreender o nível de perigo e dialogar com a pessoa, de acordo com o que foi descrito acima, procurando que seja ela a concordar com a procura de ajuda e a tomar essa decisão. A pessoa deve ser incentivada ou encaminhada a recorrer a um serviço de saúde, público ou privado. Em situações de perigo iminente e com maior nível de risco (por exemplo, encontramos a pessoa em iminência de pôr em prática uma tentativa de suicídio ou ela diz-nos diretamente que o vai fazer) devem ser ativados outros mecanismos, nomeadamente ligar 112 ou falar com o delegado de saúde local que poderá requerer um internamento compulsivo.

Na dúvida, nunca deixe a pessoa que apresenta intenção suicida sozinha e desprotegida, uma vez que existe risco. Contacte os familiares e/ou pessoas mais próximas e acione também o contacto com um profissional de saúde.

Existe ajuda para quem pensa em suicídio?

Como vimos, inerente ao suicídio estão frequentemente perturbações mentais, pelo que a ajuda especializada em saúde mental é imprescindível. A ajuda nestas situações passa frequentemente pela combinação de intervenção psiquiatria e psicoterapêutica.

Ao nível psiquiátrico pode ser prescrita ao paciente medicação que atua a nível dos neurotransmissores cerebrais, ajudando a estabilizar o humor. A nível psicoterapêutico a intervenção procura auxiliar a pessoa a readquirir um maior controlo sobre as suas emoções e a conseguir adotar estratégias mais eficazes para a resolução de problemas.

Existem também linhas de apoio que podem atuar numa fase inicial, e que garantem confidencialidade e anonimato, contando com profissionais preparados para atender e auxiliar a pessoa em risco, bem como encaminhá-la:

  • SOS Voz Amiga: 213 544 545, 912 802 669 ou 963 524 660;
  • Voz de Apoio: 225 50 60 70.

Como prevenir o suicídio?

A prevenção do suicídio deve ser uma prioridade da sociedade como um todo, passando por estratégias concertadas em vários âmbitos, tais como a comunicação social, as instituições de saúde, a comunidade escolar, as populações mais vulneráveis (minorias, pessoas em situação de pobreza extrema…), entre outros.

Importa também compreender que na sociedade moderna há muito pouco espaço para o sofrimento e para o acolhimento de quem sofre. As exigências de felicidade, sucesso, riqueza nunca foram tão intensas. Por isso, não há muitas vezes espaço para quem se encontra a sofrer. É então fundamental, na prevenção do suicídio, aceitar o sofrimento e a sua existência, bem como acolhê-lo sem julgamentos ou tentativas imediatas de o eliminar.

Como cidadãos e de forma individual também podemos assumir um papel ativo na prevenção do suicídio. Esse papel passa, essencialmente, por desenvolvermos uma maior disponibilidade para o outro, estarmos atentos àqueles que nos rodeiam e desenvolvermos uma atitude de maior empatia. Passa por sermos capazes de ouvir e compreender antes de julgar, de pensarmos no impacto que as nossas ações podem ter nos outros. Passa também por estarmos informados, compreendermos a realidade do suicídio para além dos nossos preconceitos, para lá das ideias formadas, mas pouco fundamentadas. Por nos esforçamos por aceder a uma realidade que nos pode parecer distante, não rejeitando ou formando juízos de valor acerca de algo que desconhecemos. Passa por investirmos na saúde mental, compreendendo a sua importância e entendendo como sem ela não há vida.

Diana Pereira

Amante de histórias, gosta de as ouvir e de as contar. Tornou-se Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde, pela Universidade do Porto, mas trouxe sempre consigo a escrita no percurso. Preocupada com histórias com finais menos felizes, tirou pós-graduação em Intervenção em Crise, Emergência e Catástrofe. Tornou-se também Formadora certificada, e trabalha como Psicóloga Clínica, com o objetivo de ajudar a construir histórias felizes, promovendo a saúde mental. Alimenta-se de projetos, objetivos e metas. No fundo, sonhos com um plano.