Fadiga: o que é, tipos, causas e tratamentos

Certamente já passou por alguma das seguintes situações em algum momento da sua vida: acordou de uma noite de sono que não foi suficiente para recuperar do cansaço do dia anterior; ou sentiu uma irritação sem motivo aparente, dificuldade para  se concentrar e até mesmo sensibilidade à luz. Todos esses sinais indicam um problema muito comum, que atinge uma boa parte da população. Estamos a falar da fadiga, uma condição que pode ser aguda ou crónica, e que afeta de sobremaneira a vida de quem sofre do sintoma.

A sensação de desgaste, cansaço e falta de energia é bastante recorrente entre os mais diversos tipos de doenças e condições, e merece cuidados especiais, sobretudo quando é persistente. Se já sentiu esses sintomas ou se está a sentir, então fique atento às informações que partilhamos neste artigo, nomeadamente sobre o que é fadiga, os seus tipos, possíveis causas e tratamentos. Boa leitura!

Quais os tipos de fadiga?

A fadiga pode apresentar-se de diferentes formas, nomeadamente:

Fadiga muscular

Este tipo de fadiga é provocado pelo excesso de atividade física e costuma causar cansaço físico intenso e dores nos músculos trabalhados em demasia. Pode ser dividida nos seguintes subtipos:

  • Fadiga muscular central: localizada no músculo afetado, a fadiga muscular central é a incapacidade ou a ausência de força;
  • Fadiga muscular periférica: todo o corpo é afetado pela falta de energia e indisposição.

Fadiga adrenal

A fadiga adrenal manifesta-se quando o corpo apresenta dificuldades para lidar com altos e prolongados níveis de stress. O resultado dessa condição é a disfunção nas glândulas adrenais, que fazem parte do sistema endócrino. Pode ser considerada crónica, visto que é mais persistente e tem uma origem patológica. Entre os principais sintomas deste tipo de fadiga estão a exaustão recorrente, irritabilidade, compulsão alimentar, dificuldade de concentração e constantes alterações de humor.

Fadiga crónica

A fadiga crónica manifesta-se quando somos submetidos a uma imensa carga de stress no dia a dia; está geralmente associada aos âmbitos profissional, amoroso e familiar. Todavia, embora pareça similar à fadiga adrenal, a fadiga crónica tem uma duração de no mínimo seis meses e é incapacitante, isto é, impossibilita que o indivíduo execute as tarefas do quotidiano que antes não causavam qualquer transtorno. Pela sua gravidade, a condição pode desencadear até mesmo distúrbios psicológicos, como a depressão, por exemplo.

Fadiga mental

Quando o cérebro está sobrecarregado, isto é, quando recebe um excesso de informações, então fica sujeito à fadiga mental, que é resultado do desgaste intelectual. Algumas atividades que aparentemente são inofensivas podem ser a causa do problema, entre elas o excesso de exposição a ecrãs eletrónicos, sejam estes do computador, da televisão ou do telemóvel. Além disso, estudar ou ficar concentrado durante horas num mesmo trabalho intelectual pode também ser um “gatilho” para esta condição. Os seus sintomas clássicos são: dores de cabeça, cansaço, indisposição, irritabilidade e dificuldade de concentração.

Fadiga sensorial

Já sentiu os seus olhos ou ouvidos extremamente cansados? Então certamente já passou por um episódio de fadiga sensorial. Conheça os dois principais tipos:

  • Fadiga auditiva: exaustão provocada pela exposição prolongada a ruídos. Acontece geralmente quando usamos auriculares de ouvido no volume máximo, ou quando vamos a um concerto ou festival e somos expostos a altos decibéis, por exemplo. Entre os sinais da fadiga auditiva estão a sensação de ouvidos entupidos, pressão nos ouvidos, zumbido e até mesmo a surdez.
  • Fadiga ocular: também conhecida como fadiga visual, acontece na decorrência do uso de óculos ou lentes de contacto de uma graduação incorreta, bem como pelo excesso de leitura em diferentes dispositivos móveis e computador. A pessoa que sofre com este problema costuma apresentar olhos secos, cansaço, visão embaçada, dificuldade de foco, alteração na perceção das cores, tontura, cefaleia e extrema sensibilidade à luz.

Fadiga de verão (natsubane)

O nome natsubane é de origem japonesa, e explica a fadiga provocada pelas altas temperaturas durante os meses de verão. Neste período, ficamos mais suscetíveis à desidratação e à transpiração excessiva, o que leva ao cansaço extremo, à indisposição e irritabilidade.

Quais as causas da fadiga?

De maneira geral, a fadiga costuma estar associada ao estilo de vida, às condições de saúde e a problemas psicológicos. Por isso é importante estar atento à própria rotina e desacelerar caso se esteja a sentir sobrecarregado com tantas obrigações.

Confira agora as principais causas da fadiga:

Fadiga relacionada ao estilo de vida:

  • Hábitos alimentares pouco saudáveis;
  • Uso de medicamentos, como anti-histamínicos e xaropes para a tosse;
  • Excesso de atividade física;
  • Sedentarismo;
  • Privação do sono;
  • Uso e abuso de drogas recreativas;
  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
  • Consumo excessivo de bebidas estimulantes, como o café.

Fadiga relacionada a problemas psicológicos:

  • Tristeza;
  • Stress;
  • Sentimentos de culpa e pesar;
  • Ansiedade excessiva;
  • Depressão.

Caso esteja a sentir estes sintomas, recomendamos que procure a ajuda de um médico. Qualquer doença mental ou problemas do foro psicológico que possam desencadear os sintomas acima referidos podem estar associados à fadiga.

Condições médicas

A fadiga também pode ser o sinal de algum problema mais grave, sendo condição subjacente das seguintes patologias:

Quando procurar ajuda médica?

Não subestime os sintomas da fadiga. Procure a ajuda de um especialista caso sinta cansaço persistente por, pelo menos, duas semanas ou mais, sobretudo se não aparenta ter um tipo de fadiga relacionada ao seu estilo de vida. Não obstante, caso sinta algum dos sintomas que elencamos de seguida, procure ajuda médica o mais rápido possível, podendo ser sensato deslocar-se às urgências hospitalares:

Ademais, caso a fadiga esteja relacionada a algum distúrbio psicológico, deverá também recorrer a um especialista, principalmente se entre os sintomas manifestados estiverem associadas:

  • Tentativas de suicídio;
  • Tentativas de autoagressão;
  • Preocupação em poder magoar outra pessoa.

Como tratar a fadiga?

O tratamento adequado dependerá da avaliação médica. Apenas um especialista médico poderá indicar a terapêutica mais apropriada para cada caso, visto que será necessária a análise da causa associada à fadiga. Além do tratamento, que deverá ser prescrito por um profissional de saúde, existem algumas medidas que pode adotar para assim aliviar o stress e o cansaço:

  • Dormir bem (no mínimo 7 horas por dia);
  • Seguir uma dieta equilibrada;
  • Beber bastante água durante o dia (1,5 litros);
  • Praticar atividades físicas regulares e evitar exageros;
  • Adotar técnicas de relaxamento, como meditação e ioga;
  • Manter uma agenda profissional e pessoal equilibrada, o que o ajudará a evitar o stress no seu dia a dia;
  • Evitar o consumo exagerado de álcool, nicotina, cafeína e drogas.

Sonolência, fadiga e cansaço: quais as diferenças?

Embora os sintomas sejam muito semelhantes, existem diferenças entre a sonolência, a fadiga e o cansaço. Saber diferenciar essas condições é essencial para a investigação e tratamento desses distúrbios que tanto prejudicam o seu bem-estar e a sua saúde:

  • Sonolência: problema menos complexo para ser definido, a sonolência é o excesso de sono, isto é, aquela vontade incontrolável de se deitar na cama e dormir. Geralmente manifesta-se após as refeições ou após um dia inteiro de atividades físicas ou intelectuais – o que é compreensível, afinal de contas, o corpo precisa de descansar, e para que isso aconteça, começa a libertar hormonas a fim de que reduza o ritmo e descanse. Todavia, quando a sonolência passa a ser um problema crónico, deve ser melhor avaliada por um médico.
  • Fadiga: como referido, a fadiga é um cansaço excessivo, mental e/ou físico que não passa depois de uma boa noite de sono. Entre os sintomas estão a irritação, dificuldade de concentração e a sensibilidade à luz. O quadro pode-se agravar quando afeta pessoas que sofrem de depressão, doença emocional que provoca fadiga e falta de energia para a realização de atividades rotineiras.
  • Cansaço: sentir cansaço é muito comum, sobretudo depois de um dia atribulado. O cansaço pode ser físico, indicando assim algo de origem muscular, ou até estar relacionado à falta de ar. Algumas pessoas sentem fraqueza, membros pesados e até dificuldade de concentração. Contudo, depois de uma boa noite de sono, o cansaço tende a desaparecer, e a pessoa a sentir-se revigorada, pronta para encarar as suas atividades diárias.

Lembre-se: siga à risca as orientações do seu médico e jamais se automedique, tampouco interrompa o uso do medicamento sem consultar um profissional de saúde. Faça o uso correto do fármaco, evitando assim quantidades maiores do que a prescrita. Cuide-se!

Luana Castro Alves

Graduada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)