Disfunções sexuais: o que são, tipos, prevenção e tratamento

A sexualidade é um domínio importante da saúde do ser-humano e da sua vida de uma forma global. Uma sexualidade saudável é fundamental para uma boa saúde, qualidade de vida e uma maior satisfação com a vida.

Por outro lado, problemas ao nível da sexualidade interferem com a autoestima, o bem-estar e os relacionamentos do indivíduo. Como tal, é fundamental atender aos problemas do foro sexual, compreendendo-os e conhecendo as possibilidades de intervenção existentes.

Pretendemos neste artigo falar então sobre as disfunções sexuais, explorando os vários tipos existentes, as suas características e as opções de tratamento.

O que são as disfunções sexuais?

As disfunções sexuais caracterizam-se por alterações ou perturbações no ciclo de resposta sexual da pessoa, impedindo a vivência de uma vida sexual satisfatória e gratificante. Assim, as disfunções sexuais designam os vários problemas no desenvolvimento da resposta sexual humana, que se evidenciam de maneira persistente ou repetida, impedindo o desfrutar de uma vida sexual satisfatória.

Como função sexual, entende-se o envolvimento de componentes neurofisiológicos e anatómicos que capacitam o indivíduo ao desejo, à excitação e ao orgasmo. Todos os órgãos, aparelhos e sistemas que entram em ação devem ter um mínimo funcional para o seu desempenho.

Quando estas dificuldades (leia-se, disfunções sexuais) associadas ao funcionamento sexual são ocasionais, habitualmente não geram grande preocupação. No entanto, quando são persistentes e se mantêm durante muito tempo causam bastante frustração e mal-estar à pessoa que tem essas dificuldades e/ou ao casal que é afetado por elas.

Ao contrário do que possa ser pensado, as disfunções sexuais são comuns e a maioria das pessoas sente, em alguma fase da sua vida, dificuldade nas relações sexuais. Além disso, as disfunções sexuais podem afetar tanto os homens como as mulheres.

A abordagem científica atual entende as disfunções sexuais de uma forma multifatorial e integrada, com influências genéticas, neurofisiológicas, psicológicas intra e interpessoais e socioculturais.

Importa ainda distinguir entre disfunções sexuais e dificuldades sexuais. Dificuldades sexuais são um conjunto diferenciado de queixas que incluem por exemplo dificuldade em relaxar, medo da intimidade, ansiedade de desempenho, dificuldade de comunicação entre os parceiros, etc. São fatores que não implicam necessariamente uma falha na performance sexual, mas que refletem uma insatisfação e podem eventualmente levar a algum tipo de disfunção sexual.

Como funciona o ciclo de resposta sexual?

Para compreender as disfunções sexuais é importante, primeiro, perceber a resposta sexual. Esta pode ser dividida em fases distintas, e as disfunções sexuais podem ocorrer ao nível de qualquer uma destas fases ou, então, podem estar associados a sensações dolorosas durante a relação sexual.

As fases da resposta sexual são então as seguintes:

  1. Desejo: fantasias acerca da atividade sexual e no desejo de atividade sexual;
  2. Excitação: sensação subjetiva de prazer sexual acompanhada por modificações fisiológicas;
  3. Orgasmo: pico de prazer sexual, acompanhado da libertação da tensão sexual e da contração rítmica de músculos e dos órgãos reprodutores;
  4. Resolução: sensação generalizada de relaxamento muscular e bem-estar. Durante esta fase é mais difícil para os homens ter nova ereção e orgasmo, enquanto que as mulheres são capazes de responder a uma estimulação adicional, quase imediata.

Porque é que as disfunções sexuais acontecem?

Como foi referido, as disfunções sexuais só podem ser explicadas entendendo que na sexualidade interferem uma multiplicidade de fatores, nomeadamente genéticos, neurofisiológicos, psicológicos e socioculturais. Por isso, não existe apenas uma causa direta para explicar as disfunções sexuais, podendo existir múltiplas causas que variam mediante o tipo de disfunção e cada indivíduo e situação em particular.

É necessário ter em conta que as disfunções sexuais e o sofrimento associado dependem muito das expectativas, dos desejos e das oportunidades do indivíduo quanto à atividade sexual (bem como os mesmos elementos no parceiro).

É importante considerar fatores como os efeitos do envelhecimento, as normas sociais e religiosas face aos comportamentos sexuais, bem como o que significa funcionar sexualmente do ponto de vista masculino ou feminino.

Importa também ter em conta fatores como doenças existentes, medicação, que podem reduzir o desejo e/ou interferir nas funções sexuais. É fundamental compreender que, embora possam existir fatores biológicos na base das disfunções sexuais, a resposta sexual é vivenciada a partir de perspetivas intrapessoais, interpessoais e culturais que interferem de forma significativa no desenvolvimento de uma disfunção sexual.

Por exemplo, as normas e expectativas sociais muitas vezes associadas ao facto de o homem ter de conseguir sempre ter uma ereção e um desempenho sexual satisfatório podem levar ao desenvolvimento de disfunções sexuais como a disfunção erétil, causada pela ansiedade associada ao ato sexual.

Por isso, e para sumarizar, ao considerar uma disfunção sexual é necessário ter em conta uma série de fatores, que interferirão também na forma como essa disfunção sexual é depois tratada:

  • Fatores relacionados ao parceiro (p.ex. problemas sexuais, estado de saúde);
  • Fatores associados ao relacionamento (p.ex. falta de comunicação, discrepâncias no desejo para atividade sexual);
  • Fatores relacionados a vulnerabilidade individual (p.ex. má imagem corporal, história de abuso sexual ou emocional);
  • Comorbidade psiquiátrica (p.ex. depressão, ansiedade);
  • Stressores (p.ex. perda de emprego, luto);
  • Fatores culturais ou religiosos (inibições relacionadas a proibições da atividade sexual ou prazer, atitudes em relação à sexualidade;
  • Fatores biológicos e médicos.

Que tipos de disfunções sexuais existem?

Existem vários tipos e subtipos de disfunções sexuais, os quais abordaremos cada de forma pormenorizada, nomeadamente:

  • Transtornos do desejo sexual;
  • Transtornos da excitação sexual;
  • Transtornos do orgasmo;
  • Transtornos da dor sexual.

1. Transtornos do desejo sexual

Transtorno do desejo sexual hipoativo

Esta disfunção sexual consiste na ausência ou escassez de pensamentos ou fantasias sexuais / eróticas, bem como um desejo para a atividade sexual escasso ou ausente, de forma persistente ou recorrente.

É importante ter em conta que para que consideremos que existe uma disfunção sexual, a falta de desejo para o sexo e a deficiência ou ausência de pensamentos ou fantasias eróticas devem ser persistentes ou recorrentes e ter duração mínima de aproximadamente 6 meses. Isto porque se houver uma diminuição do desejo de forma temporária, por exemplo porque o indivíduo está a passar por uma situação difícil de vida, não podemos dizer que se trate de uma disfunção sexual. Imaginemos por exemplo alguém que está a pensar terminar o relacionamento, e que por causa disso não tem sentido desejo sexual. É uma situação natural e temporária e não uma disfunção sexual.

Esta disfunção sexual parece ser influenciada por fatores como a ansiedade, autoestima, o consumo de álcool, traumas resultantes de experiências precoces, problemas interpessoais e distúrbios endócrinos. A idade também é um fator de risco relevante, bem como os níveis de testosterona por exemplo. Existem ainda outras condições orgânicas que podem estar na origem desta disfunção sexual, tais como doença hepática, tumores ou mesmo a toma de alguns tipos de fármacos (antihipertensores, antidepressivos, antipsicóticos, anticonvulsionantes).

Transtorno de Aversão sexual

Esta disfunção sexual caracteriza-se por uma aversão ou fuga do contacto sexual genital com o parceiro sexual. Os fatores que explicam esta perturbação podem ser variados. Por exemplo, os indivíduos com perturbações do desejo frequentemente usam a inibição do desejo como forma defensiva, isto é, no sentido de se protegerem dos medos associados ao sexo.

Atitudes negativas face ao sexo, educação sexual repressiva, historial de violência / abuso, são alguns dos fatores que podem contribuir para esta dificuldade.

2. Transtornos da excitação sexual

Transtorno do Interesse / Excitação Sexual Feminina

Esta disfunção sexual consiste na ausência ou redução significativa do interesse ou da excitação sexual, manifestada por pelo menos 3 dos seguintes aspetos:

  • Ausência ou redução do interesse pela atividade sexual;
  • Ausência ou redução dos pensamentos ou fantasias sexuais / eróticas;
  • Nenhuma ou quase nenhuma iniciativa de atividade sexual e, geralmente, ausência de recetividade às tentativas de iniciativa feitas pelo parceiro;
  • Ausência ou redução na excitação / prazer sexual durante a atividade sexual em todos ou quase todos os encontros sexuais;
  • Ausência ou redução do interesse / excitação sexual em resposta a quaisquer indicações sexuais ou eróticas, internas ou externas (p.ex. escritas, verbais, visuais…);
  • Ausência ou redução de sensações genitais ou não genitais durante a atividade sexual em quase todos ou em todos os encontros sexuais.

Os sintomas desta disfunção sexual devem ser persistentes e existirem há pelo menos aproximadamente seis meses. Importa ter em conta que a forma como esta disfunção sexual se expressa é diferente entre as mulheres. Por exemplo, em algumas mulheres esta disfunção sexual pode ser expressa sobretudo pela falta de interesse sexual, de pensamentos eróticos e de iniciativa em iniciar a atividade sexual e responder aos convites sexuais do parceiro, enquanto que para outras pode tratar-se sobretudo da incapacidade de ficar sexualmente excitada.

Muitas vezes esta disfunção sexual está associada a problemas para experimentar o orgasmo, dor sentida durante a atividade sexual, atividade sexual pouco frequente e discrepâncias no desejo do casal. Também é comum existirem dificuldades de relacionamento, bem como expectativas não realistas e normas sobre o nível “adequado” de interesse ou excitação sexual, juntamente com técnicas sexuais pobres e falta de informações sobre a sexualidade. Algumas condições médicas também podem ser fatores de risco para esta disfunção sexual (p.ex diabetes, disfunção da tiróide).

Transtorno erétil masculino

Comumente conhecido como disfunção erétil, esta disfunção sexual caracteriza-se pela presença de pelo menos um dos três sintomas seguintes, vivenciado em quase todas ou em todas as ocasiões de atividade sexual e durante um período de pelo menos 6 meses:

  • Dificuldade acentuada em obter ereção durante a atividade sexual;
  • Dificuldade acentuada em manter uma ereção até ao fim da atividade sexual;
  • Diminuição acentuada na rigidez erétil.

Importa perceber se o homem é capaz de ter ereção em determinadas circunstâncias, mas não noutras (ex: ter uma relação satisfatória com uma prostituta e não o conseguir com a esposa). A causa da impotência pode ser orgânica ou psicológica, ou uma combinação de ambas. Muitos homens com transtorno erétil podem apresentar baixa autoestima, baixa autoconfiança e senso diminuído de masculinidade, além de afeto deprimido. Podem ocorrer situações de medo e/ou evitamento de futuros encontros sexuais. Também é comum a satisfação sexual diminuída e o desejo sexual reduzido na/o parceira/o do indivíduo.

Alguns dos fatores de risco desta disfunção sexual incluem idade, tabagismo, sedentarismo, diabetes e desejo diminuído. Enquanto os indivíduos mais jovens têm mais probabilidade de desenvolver disfunção eréctil de causa psicológica (stress, depressão, ansiedade de desempenho, medo do fracasso, baixa autoestima, insatisfação ou conflito conjugal…), os homens com mais idade desenvolvem habitualmente disfunção eréctil de causa orgânica, devido a uma maior comorbilidade com diversos fatores de risco (doenças vasculares, problemas neurológicos, diabetes, problemas hormonais, uso de medicação…).

3. Transtornos do orgasmo

Transtorno do orgasmo feminino

Esta disfunção sexual caracteriza-se pela presença de qualquer um dos seguintes sintomas, vivenciado em quase todas ou todas as ocasiões de atividade sexual:

  • Retardo acentuado, infrequência acentuada ou ausência de orgasmo;
  • Intensidade muito reduzida de sensações orgásmicas.

Vários fatores psicológicos estão associados a este transtorno, tais como: rejeição pelo parceiro sexual, danos na vagina, sentimentos de culpa em relação aos impulsos sexuais, ansiedade e preocupação com a gravidez, etc. Também podem existir múltiplos fatores genéticos e fisiológicos na base do transtorno do orgasmo, tais como esclerose múltipla, lesões no nervo pélvico, lesões na medula espinal, entre outros.

É importante ter em conta que muitas mulheres precisam de estimulação do clitóris para atingir o orgasmo, enquanto que uma proporção relativamente pequena de mulheres afirma atingir sempre o orgasmo durante a penetração. Por isso, se uma mulher atinge o orgasmo por meio de estimulação do clitóris, mas não durante a penetração, não se considera que tenha uma perturbação do orgasmo. Por vezes também acontece que as dificuldades em atingir o orgasmo têm que ver com uma estimulação sexual inadequada.

Ejaculação retardada

Esta disfunção sexual consiste na presença de qualquer um dos seguintes sintomas durante pelo menos 6 meses, vivenciado em quase todas ou em todas as ocasiões de atividade sexual, sem que o indivíduo deseje o retardo:

  • Retardo acentuado na ejaculação;
  • Baixa frequência marcante ou ausência de ejaculação.

Assim, neste tipo de disfunção sexual o homem apresenta dificuldade ou incapacidade para ejacular, apesar de existir estimulação sexual adequada e desejo de ejacular. Por vezes os casais relatam tentativas prolongadas de atingir o orgasmo a ponto de causar exaustão ou desconforto. Alguns homens podem também acabar por evitar a atividade sexual devido à dificuldade persistente e repetitiva em ejacular. Algumas parceiras podem sentir-se menos atraentes sexualmente devido ao parceiro não conseguir ejacular com facilidade.

Existem fatores genéticos e fisiológicos associados a este transtorno, nomeadamente a perda de nervos sensoriais periféricos de condução rápida e a redução na secreção de esteroides sexuais, ambas as condições associadas à idade, e que geralmente estão associadas ao aumento da ejaculação retardada em homens com mais de 50 anos.

Ejaculação precoce

Esta disfunção sexual consiste na existência de um padrão persistente ou recorrente de ejaculação que ocorre durante a atividade sexual dentro de aproximadamente um minuto após a penetração e antes do momento desejado pelo indivíduo. Apesar de também poder existir um diagnóstico de ejaculação precoce mediante atividades sexuais não vaginais, não existem critérios estabelecidos para o tempo de duração dessas atividades.

Muitos homens com queixa de ejaculação precoce queixam-se de uma sensação de falta de controlo sobre a ejaculação e demonstram apreensão relativamente à incapacidade prevista para retardar a ejaculação em futuros encontros sexuais. Esta disfunção sexual pode ser mais comum em homens com transtornos de ansiedade, especialmente transtorno de ansiedade social. Também existe uma contribuição genética para esta disfunção sexual, e ela pode ainda estar associada a condições como doença de tiroide, prostatite e abstinência de drogas. No entanto, na ejaculação precoce as causas mais comuns são as psicológicas, relacionadas com ansiedade e stress.

4. Transtornos da dor sexual

Transtorno da Dor Génito-Pélvica / Penetração

Esta disfunção sexual consiste na existência de dificuldades persistentes e recorrentes com um ou mais dos seguintes sintomas:

  • Dificuldade marcante para ter relações / penetrações vaginais (pode variar desde incapacidade total para experimentar penetração vaginal em qualquer situação, p.ex. exames ginecológicos ou inserção de tampão, até a capacidade para experimentar facilmente a penetração numa situação, mas não noutra);
  • Dor vulvovaginal ou pélvica intensa durante a relação sexual vaginal ou nas tentativas de penetração;
  • Medo ou ansiedade intensa de dor vulvovaginal ou pélvica em antecipação a, durante ou como resultado da penetração vaginal (este medo ou ansiedade pode levar a mulher a evitar situações sexuais / íntimas e a evitar a penetração vaginal);
  • Tensão ou contração acentuada dos músculos do assoalho pélvico durante tentativas de penetração vaginal (pode variar de espasmo semelhante a um reflexo do assoalho pélvico em resposta às tentativas de penetração vaginal, a proteção muscular em resposta à experiência de dor antecipada ou repetida, ao medo ou à ansiedade).

Esta disfunção sexual está frequentemente associada a outras disfunções sexuais, particularmente o desejo e interesse sexual reduzidos. Existem alguns fatores de risco, tais como a violência sexual e/ou física, historial de infeções vaginais, inflamações ginecológicas, entre outros.

Como prevenir as disfunções sexuais?

Prevenir as disfunções sexuais significa contribuir para a existência de uma sexualidade satisfatória, minimizando os possíveis fatores de risco que contribuem muitas vezes para que as disfunções sexuais se instalem. Assim, algumas das estratégias que podem ajudar a prevenir a instalação de disfunções sexuais são:

  • Monitorização adequada da saúde física, com exames periódicos por forma a detetar precocemente possíveis problemas orgânicos que interfiram com a resposta sexual;
  • Tratamento atempado de problemas emocionais ou psicológicos, tais como a depressão ou ansiedade, pois quando instalados estes podem ter um impacto significativo na vida sexual e inclusivamente estar na origem de disfunções sexuais;
  • Educação sexual apropriada, quer seja no contexto educativo quer seja no contexto familiar;
  • Informação sobre o sexo e a sexualidade adequada e disseminada pela população;
  • Desconstrução de estereótipos e crenças negativos associados ao sexo;
  • Comunicação aberta e transparente entre o casal relativa à sua vida sexual.

No caso dos problemas e dificuldades sexuais ocasionais, por exemplo uma disfunção erétil que acontece esporadicamente mas não se configura como disfunção sexual, algumas estratégias podem também ser importantes, designadamente:

  • Controlar / diminuir a ingestão de álcool, tabaco e outras substâncias;
  • Reduzir os níveis de stress e ansiedade;
  • Ter uma boa higiene de sono;
  • Ter uma alimentação saudável e equilibrada;
  • Praticar exercício físico;
  • Comunicar com o/a parceiro/a acerca das preocupações, receios e preferências no âmbito sexual.

Como tratar as disfunções sexuais?

Uma vez que as disfunções sexuais têm causas múltiplas e existem inúmeros fatores que influenciam o seu aparecimento e desenvolvimento, também a intervenção deve ser integrada e incluir várias valências, para uma resposta mais eficaz.

Tratamento médico para as disfunções sexuais

Como vimos, existem vários fatores orgânicos que podem estar na origem das disfunções sexuais. Deste modo, muitas vezes é necessário o acompanhamento médico, maioritariamente urológico ou ginecológico, para adequação de tratamento, por exemplo através de medicação prescrita pelo clínico.

Para a disfunção erétil, por exemplo, existem diversos fármacos que podem ser prescritos pelo médico, mediante avaliação do quadro clínico. Em alguns de disfunções sexuais pode ainda estar indicada uma ajuda mecânica (implantes penianos ou sistemas de vácuo) e, no caso da mulher, existem dilatadores que podem ser úteis em casos de estreitamento do canal vaginal.

Fisioterapia no tratamento das disfunções sexuais

Para algumas disfunções sexuais a fisioterapia pode ser indicada com diversos propósitos: tonificar a musculatura perineal; aumentar a irrigação sanguínea local; aumentar a capacidade sensória vaginal. Podem ser prescritos exercícios diversos para a pessoa fazer em casa, bem como utilizada a eletroterapia para estimulação propriocetiva, reforço muscular e efeito analgésico. Muitas vezes na fase, por exemplo, de pós-parto pode ser particularmente importante este tipo de intervenção.

Intervenção psicológica no tratamento das disfunções sexuais

A terapia sexual assegurada por psicólogo especialista na área da sexualidade revela-se muito útil para diversas disfunções sexuais.

O psicólogo clínico com formação em sexologia utiliza técnicas psicoterapêuticas para identificar mitos e crenças disfuncionais em torno da sexualidade (que possam estar na origem de disfunções sexuais), prescrevendo também técnicas e aconselhando o casal por forma a capacitar o cliente a experimentar uma sexualidade mais saudável.

Uma consulta de terapia sexual é semelhante a qualquer outra sessão de psicoterapia. O psicólogo irá avaliar a situação, definir os objetivos da intervenção e proceder à intervenção propriamente dita. Poderá fornecer-lhe material educativo, informações, dicas, sugestões e algumas tarefas para realizar em casa.

As estratégias e técnicas de intervenção variam conforme a pessoa, o casal e as necessidades específicas. Podem ser usadas tarefas comportamentais específicas, técnicas específicas direcionadas às preocupações e pensamentos, biofeedback, técnicas de relaxamento e redução da ansiedade, exercícios de comunicação entre o casal, entre outros.

Por isso, se sofre ou acredita poder sofrer de alguma disfunção sexual ou dificuldade no âmbito sexual, é importante que consulte um profissional de saúde, por exemplo o médico de família, para que este o possa encaminhar devidamente. Muitas vezes existe vergonha e inibição em falar sobre as dificuldades sexuais, no entanto lembre-se que os profissionais estão devidamente preparados para isso. Além disso, quanto mais atempada for a intervenção, mais eficazes serão os seus resultados.

Diana Pereira

Amante de histórias, gosta de as ouvir e de as contar. Tornou-se Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde, pela Universidade do Porto, mas trouxe sempre consigo a escrita no percurso. Preocupada com histórias com finais menos felizes, tirou pós-graduação em Intervenção em Crise, Emergência e Catástrofe. Tornou-se também Formadora certificada, e trabalha como Psicóloga Clínica, com o objetivo de ajudar a construir histórias felizes, promovendo a saúde mental. Alimenta-se de projetos, objetivos e metas. No fundo, sonhos com um plano.