Esgotamento nervoso: saiba como cuidar da sua saúde mental!

Num passado não muito distante, os problemas relacionados com a saúde mental não eram tratados com a devida seriedade. Isto porque muitos acreditavam, entre eles médicos, que estes não passavam de um estado emocional passageiro, para os quais não se deveria dar tanta importância.

Todavia, este olhar nada cuidadoso sobre as doenças psicológicas tem mudado aos poucos, mostrando que é preciso cuidar do corpo como um todo, pois só assim podemos alcançar um estado de plenitude e bem-estar.

Entre os diversos transtornos psicológicos está o esgotamento nervoso, situação caracterizada por um desequilíbrio entre o corpo e a mente. Por causa deste, é comum que uma pessoa se sinta sobrecarregada, extremamente cansada e com dificuldade para se concentrar.

Estes sinais evidenciam que algo não vai bem, e que é preciso procurar ajuda, pois tanto stress e sofrimento psicológico podem trazer consequências terríveis para o dia a dia, prejudicando relações e até mesmo a vida profissional.

Relação entre esgotamento nervoso e o burnout

De acordo com vários especialistas da área de saúde mental o esgotamento nervoso pode estar relacionado com a síndrome de Burnout. Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) introduziu o burnout, isto é, um “esgotamento profissional”, na Classificação Internacional de Doenças, sendo este descrito como “uma síndrome resultante de stress crónico no trabalho que não foi gerido com êxito”.

Realizada com 1146 trabalhadores portugueses, uma pesquisa da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) revelou que, 3 em cada 10 entrevistados estão em risco de burnout, sobretudo aqueles que são empregados de lojas, de supermercados e profissionais de saúde (não-médicos). O dado mostra-nos que é urgente rever as excessivas horas no trabalho, bem como o ambiente laboral, principais causas que justificam o esgotamento profissional.

Não obstante, o esgotamento nervoso pode não ter qualquer relação com a síndrome de burnout, podendo suas causas estarem associadas a transtornos mentais e fatores genéticos, apenas para citar dois exemplos. Nestes casos, também é possível buscar apoio de um profissional para desenvolver estratégias capazes de gerenciar o problema.

Quais os sintomas do esgotamento nervoso?

  1. Falta de memória: O esgotamento nervoso leva a pessoa a ter lapsos de memória, provocados pelo stress crónico ao qual é submetida. Quando isto acontece, fica difícil até lembrarem-se de informações simples e eventos recentes;
  2. Dificuldades de concentração: Quando o stress é excessivo, faz com que o cérebro se esforce muito mais para realizar uma determinada tarefa, o que acarreta cansaço mental e dificuldade de concentração;
  3. Aumento do apetite: este é um sintoma bastante comum do esgotamento nervoso, que nos revela que o stress crónico está associado a alterações nos níveis hormonais. Pode verificar-se um aumento na concentração da hormona cortisol no sangue, que chega ao cérebro e passa a atuar em regiões responsáveis pela produção de substâncias que aumentam o apetite – especialmente o apetite por alimentos ricos em hidratos de carbono e gorduras saturadas;
  4. Alterações intestinais: até mesmo o funcionamento do intestino pode ficar prejudicado por causa de um esgotamento nervoso. As consequências são dor abdominal, prisão de ventre, excesso de gases e diarreia, por exemplo;
  5. Aumento da sensibilidade aos cheiros: é normal que os recetores olfativos fiquem mais aguçados quando os níveis de ansiedade estão elevados. De uma hora para outra, aromas até então agradáveis passam a ser motivo de incómodo e hipersensibilidade;
  6. Sensação iminente de que algo mau pode acontecer: o esgotamento nervoso faz com que a pessoa sobrevalorize acontecimentos e complique situações aparentemente simples, o que desencadeia um sentimento de que algum evento dramático está prestes a acontecer;
  7. Descuido com a própria imagem: não é incomum que pessoas stressadas deixem de cuidar da própria aparência. Isto acontece porque estão frequentemente preocupadas e ansiosas, emoções que minam a energia que poderiam ter para cuidar da imagem. O resultado é um aspeto cansado e abatido;
  8. Sintomas físicos: o esgotamento nervoso também provoca sintomas físicos, entre os principais estão: alteração nos batimentos cardíacos, tonturas, dores musculares, dores de cabeça constantes e tosse persistente.

Quando devo consultar um médico?

Os sintomas acima descritos podem aparecer logo após uma situação de stress excessivo, mas tendem a desaparecer em poucas horas. Sendo assim, não é necessário ir ao médico, basta que a pessoa tente relaxar depois do evento que desencadeou o mal estar.

Não obstante, caso os sintomas sejam persistentes e variados, é recomendado consultar um psicólogo para que seja identificada a causa do esgotamento nervoso e iniciado o tratamento apropriado. O stress crónico deve ser levado a sério, sobretudo quando os seus sintomas interferem na qualidade de vida e prejudicam a saúde.

Como se trata o esgotamento nervoso?

Existem dois tipos de profissionais que estão aptos para conduzir o tratamento do esgotamento nervoso, sendo eles o psicólogo e o psiquiatra. Estes serão responsáveis pelas sessões de terapia capazes de identificar a causa do esgotamento.

Feito isto, poderão utilizar diferentes métodos para relaxar e aliviar os sintomas. Em alguns casos o psiquiatra poderá prescrever medicamentos que ajudem o paciente a relaxar com mais facilidade. Contudo, poderão ser recomendadas outras estratégias no tratamento do esgotamento nervoso, tais como:

  • Praticar exercício físico por pelo menos 30 minutos por dia: a prática de algum tipo de exercício físico traz benefícios para as emoções, diminuindo a quantidade da hormona ligada ao stress, nomeadamente o cortisol.
  • Meditar, praticar yoga, acupuntura e outras terapias que ajudam a melhorar a qualidade de vida: estas são responsáveis por deixar a pessoa mais calma, eliminando pensamentos confusos que podem estar na origem do stress e da ansiedade.
  • Adotar um pensamento positivo: o otimismo está relacionado com a saúde e com o bem-estar. Portanto, evite pensamentos negativos e dramatizar em demasia situações simples.
  • Tirar um tempo para si mesmo: separe um momento do seu dia para fazer aquilo que gosta. Leia um livro, caminhe, ouça a sua playlist favorita ou dê um passeio. É importante desligar-se dos problemas sem sentir culpa.
  • Sair com os amigos: uma vida social com amigos e familiares ajuda a reduzir o stress. Faça pausas durante o expediente e aproveite para trocar ideias e tomar um café com os seus colegas de trabalho.
  • Aproveitar momentos em família: a família é fundamental durante o processo de resgate da saúde mental. Conecte-se com as pessoas que gosta, pare para conversar e ouvir, lembre-se de momentos felizes e reserve os finais de semana para estreitar os laços afetivos.
  • Comer bem para evitar o stress: uma alimentação equilibrada é algo manifestamente importante no combate ao esgotamento nervoso. Dê preferência a alimentos ricos em vitamina C, Vitamina B5 e B6, magnésio e zinco. Estes nutrientes podem ser encontrados em frutas, legumes, ovos, frango, salmão, lentilhas, banana, ostras, mexilhões, amêndoas, milho, ervilhas, entre outros.
  • Fazer massagens relaxantes: estas aliviam a tensão muscular e promovem o relaxamento dos músculos. Utilize óleos essenciais de alfazema, eucalipto ou camomila, opções que aliviam o stress, estimulam a circulação sanguínea e renovam energias.
  • Respeitar a necessidade fisiológica do sono: estipule uma rotina para dormir, ou seja, deite-se e acorde sempre nos mesmos horários, o que ajudará o seu corpo a estabelecer padrões de sono.
  • Evitar cargas de trabalho muito elevadas: não trabalhe mais do que o seu corpo e mente são capazes de suportar. Entenda que às vezes é preciso abrir mão de algumas regalias que o dinheiro proporciona, para assim alcançar a tão sonhada qualidade de vida. Se for possível diminuir o ritmo, faça-o!

Lembre-se: o esgotamento nervoso é um problema sério e deve ser tratado; por isso. Cuidando do seu corpo e da sua mente certamente terá mais felicidade e qualidade de vida. Comece hoje mesmo a sua jornada rumo ao bem-estar!

Luana Castro Alves

Graduada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)