Distúrbios do sono: o que são e quais os sintomas e causas?

Ter uma boa noite de sono é essencial para descansar o corpo e a mente. Porém, quando isso não acontece, sentimo-nos exaustos, sonolentos, com dificuldade em trabalhar e desempenhar as funções que habitualmente fazemos.

Além disso, ter problemas em dormir pode prejudicar a qualidade de vida e levar a distúrbios do sono, uma condição que pode ser provocada por alterações cerebrais e/ou respiratórios, desregulação entre o sono e a vigília e outros fatores.

Os distúrbios do sono podem surgir em qualquer fase da vida, embora sejam mais frequentes nas crianças e nos idosos. Devem ser tratados por um especialista, nomeadamente por um médico do sono, que será o responsável por avaliar as especificidades do distúrbio em causa e indicar o tratamento mais adequado.

Entre os principais tratamentos para os distúrbios do sono está a terapia cognitivo-comportamental, capaz de melhorar a capacidade de dormir. Em alguns casos, o uso de medicamentos poderá também ser recomendado.

Quer entender mais sobre este assunto? Neste artigo encontrará informações sobre os tipos mais comuns de distúrbios de sono. Boa leitura!

Quais os principais distúrbios do sono?

São vários os distúrbios do sono, todavia existem alguns que, pela sua frequência, merecem maior atenção. Entre estes, destacamos a(s):

1. Insónias

Este é certamente o distúrbio do sono mais frequente, que tem como características a dificuldades em iniciar o sono (isto é, em adormecer) e em mantê-lo. Além disso, quem sofre de insónias pode despertar várias vezes durante a noite e acordar muito cedo. As consequências de uma noite mal dormida (ou de uma noite em claro) repercutem-se essencialmente durante o dia, através de uma sensação de cansaço, baixa produtividade e irritabilidade.

A insónia pode surgir isoladamente ou associada a uma doença, como a depressão, alterações hormonais ou doenças neurológicas. Também pode ser provocada pelo uso de certas substâncias, entre elas o álcool, a cafeína, o tabaco, diuréticos, alguns antidepressivos, etc. Hábitos considerados inadequados também prejudicam a capacidade de dormir, nomeadamente:

  • não ter uma rotina para se deitar e acordar;
  • não ter um ambiente propício ao relaxamento do corpo e da mente (por exemplo: um quarto muito iluminado ou muito barulhento);
  • a ingestão de bebidas energéticas à noite;
  • consumir refeições pesadas antes de dormir;
  • usar o telemóvel (ou outro dispositivo eletrónico) na cama.

Caso sofra com esse distúrbio do sono, procure ajuda médica, pois apenas um especialista poderá avaliar se existem condições associadas à insónia ou se esta é algo isolado. Além da realização de exames médicos, o profissional clínico poderá indicar técnicas de higiene do sono, estas consistem na melhoria de hábitos que favorecem o adormecimento e até mesmo o uso de medicamentos como melatonina ou ansiolíticos.

2. Apneia do sono

Ressonar em excesso pode ser um dos sintomas mais evidentes da apneia do sono, também conhecida como síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS). Esta provoca uma perturbação da respiração, na qual ocorre uma interrupção do fluxo respiratório em virtude do colapso das vias áreas.

Quem sofre deste distúrbio tem dificuldades severas para atingir fases mais profundas do sono, o que impede o necessário descanso. O “sono leve” traz consequências para a qualidade de vida, entre elas dores de cabeça, dificuldade em se concentrar, irritabilidade, alterações da memória e pressão alta.

Caso seja diagnosticado com este distúrbio do sono, fique tranquilo, pois existe tratamento adequado para minimizar os seus impactos no dia a dia. O médico do sono fará a polissonografia, exame não invasivo que mede a atividade respiratória, muscular e cerebral (além de outros parâmetros) durante o sono.

Feito o diagnóstico, o médico poderá recomendar o uso de máscaras adaptáveis de oxigénio e solicitar alterações a alguns hábitos, como deixar de fumar e a perda de peso corporal. Nos casos mais graves, poderá ser indicada uma cirurgia para a correção do estreitamento ou obstrução do ar nas vias respiratórias.

3. Sonambulismo

Trata-se, talvez, do distúrbio de sono que desperta mais curiosidade. A pessoa que sofre desta condição apresenta atividades motoras complexas durante o sono, como caminhar ou conversar.

Estes comportamentos pouco habituais, também chamados de parassonias, ocorrem quando há uma alteração do padrão de sono em virtude da ativação de áreas do cérebro em momentos inusitados. Manifesta-se principalmente nas crianças, mas também pode afetar adultos e idosos.

O sonambulismo é uma condição que tende a desaparecer ou diminuir a partir da adolescência, por isso, nem sempre é necessário tratamento. Não obstante, em casos mais graves, o médico poderá indicar medicamentos, como ansiolíticos ou antidepressivos para ajudar a regularizar o sono.

4. Paralisia do sono

A paralisia do sono caracteriza-se pela incapacidade da pessoa se mover ou falar logo após acordar. É como se o cérebro despertasse antes do corpo, o que leva a uma sensação de angústia provocada pela dificuldade em movimentar os músculos.

Há pessoas que sofrem com alucinações, relatando ver luzes e vultos, consequência do despertar de sonhos vívidos que experimentamos na fase REM do sono (Rapid Eyes Movement – Movimento Rápido dos Olhos). Pessoas que estão privadas do sono possuem mais probabilidades de sofrer com a paralisia do sono, porém, basta que se faça uma correta higiene do sono para assim evitar os seus episódios.

5. Narcolepsia

Quem sofre de narcolepsia sente um “sono incontrolável”, que o leva a dormir em situações e ambientes inapropriados. Embora não seja grave, trata-se de uma doença crónica, que pode comprometer a qualidade de vida e gerar constrangimentos no âmbito académico, profissional e pessoal. Além disso, os narcolépticos podem sofrer de depressão em razão dos sintomas, bem como de obesidade.

O tratamento deste distúrbio do sono passa por promover mudanças de hábitos, como evitar a ingestão de bebidas alcoólicas, o tabaco, a cafeína e medicamentos com sedativos/tranquilizantes. Em alguns casos o médico poderá prescrever estimulantes cognitivos – psicostimulantes.

Caso se tenha identificado com este artigo e quer melhorar a qualidade do seu sono, confira algumas dicas que o podem ajudar a dormir melhor:

  1. Respeite o horário de dormir;
  2. Desligue a televisão e o telemóvel;
  3. Leia um pouco antes de dormir;
  4. Crie um ambiente favorável ao sono;
  5. Faça uma pequena sesta depois do almoço;
  6. Pratique exercício físico regularmente;
  7. Evite beber café ao fim da tarde/noite.

Lembre-se: pode e deve adotar hábitos de vida mais saudáveis, entretanto, é fundamental que procure ajuda especializada se reconheceu alguns dos sintomas descritos neste artigo. Não há pessoa mais capacitada do que um médico do sono para o ajudar a recuperar o prazer de dormir. Cuide-se!

Luana Castro Alves

Graduada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)